sábado, 27 de dezembro de 2025

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Separata dos Amigos Abalados

Onde estais vós Eduarda Maçariku
Joana Rita Lena Mitó?
Onde anda agora a vossa voz?
Que ruas escutam vossos passos?
Ao norte? ao sul? aonde? aonde?
Antonino Olímpio Ângelo Rui
E tu Manel de olhos claros
E tu Filomena E tu Gabriela
E tu Margarida?
Que estradas colhem vosso olhar?
Onde anda agora a vossa vida repartida?
A oeste? A leste? Aonde? aonde?
Olho prà frente prà cidade
e pràs outras cidades por trás dela
onde se agitam outras gentes
que nunca ouviram vosso nome
e vejo em tudo a vossa cara
e oiço em tudo o som amigo
a voz de um a voz de outro
e aquele fio de sol que se agitava
sempre
em todos nós
Dançam as casas nesta noite
ébrias de sombra nesta noite
que se prolonga em plena angústia
aos solavancos do destino
e não consegue estrangularmos
Sigo e pergunto ao vento à rua
e a esta ânsia inviolável
que embebe o ar de calafrios
Onde estais vós? onde estais vós?
E por detrás de cada esquina
e por detrás de cada vulto
o vento traz-me a vossa voz
a rua traz-me a vossa voz
a voz de um a voz de outro
toada amiga que me banha
tão confiante tão serena
Aqui aqui em toda a parte
Aqui aqui E tu? aonde?


Adaptação de "Balada dos amigos separados" de Mário Dionísio


solstício lunar

nova esperança e um novo salto

já a gravidade não tem mãe, não tem pai
já a gravidade tem as nossas mãos apertadas
as tuas quentes, as minhas frias

é o sol de inverno que cura
e a lua que continua, que olha por nós
dos 100 graus negativos aos 100 positivos
com os olhos fundos e feiticeiros

o fogo quando
os nossos peitos pulsantes se aproximam
criará filhos belos
pelo menos, um grande amor
do outro mundo

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

mães

um berro de perda 
pata esquerda 
mãe pata que trata quem se trata 
por tudo o que aqui se mete 
semente que agora te olha de frente 
que se despede sem tempo 
sem saber com doçura 

ferida dura aqui se lanha 
parte-se e parte-se 
e a malvada arranha 
parte-se um fio acima da cabeça 
e parte-se sem o fio e com outra cabeça
acende-se uma gota grita o peito 
desfeito 

não nos disseram que 
há muito para além de 
quanto mais se vive mais se 

oh! se precisava de ti aqui agora

amiga desachada

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

I wouldn't feel so used

inevitabilidade

os olhos que não páram para se olhar
o sorriso automático pouco duradouro
a piada na ponta da língua, a desviar as palavras importantes, as emoções grandes
a festa condescendente no cabelo
os gestos repetidos repetidos repetidos
não são, como queres, fruto natural dos anos

são sim o caminho por onde decidiste seguir e que não ousaste transformar

que não ousas transformar

o caminho que queres continuar a pisar

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

a escorripichar

abro os olhos no escuro 

e no escuro 

desabrocham manchas mais escuras


entrechocam-se

devoram-se


tudo vai sendo comido

preto sobre preto sobre preto


da vida perdemos o sentido

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Lena

A Lena foi uma das minhas três avós emprestadas. Foi-se primeiro a Joana, depois a Gabriela, agora a Lena. As três eram professoras. Aprendi muito com elas e não fui aluna de nenhuma. 

Não convivi muito com a Lena nestes últimos tempos, mas a Lena anda comigo na vida, no meu dia-a-dia, julgo que para sempre. Aprendi tantas coisas com ela que estou sempre a valer-me dessas aprendizagens. Formam o meu pensamento, formam os meus gestos. 

Aprendi, por exemplo: 

- que as plantas no Inverno têm água e estão bem, mas, no Verão, «estão em sofrimento» - por isso não se deve fazer podas no Verão; 

- que as ondinhas esbranquiçadas que às vezes aparecem na t-shirt são os sais deixados pela transpiração; 

- que não é no dia 24 de Dezembro que se deve dar prendas mas sim em 6 de Janeiro, que foi quando chegaram os reis magos; 

- que há pessoas que nasceram num dia (por exemplo no dia 3 de Agosto), mas foram registadas noutro (por exemplo no dia 4 de Agosto), e que os BIs podem dizer mentiras;

- que uma pessoa que eu sempre vira de cabelo curto podia já ter tido tranças; 

- que se pode ter os olhos cinzentos, e que se pode formar um círculo à volta da íris dos olhos, e que esses olhos podem ver objectos voadores não identificados; 

- que se pode ser uma mulher independente com 50, 60, 70 anos e, para além de fumar com gosto e beber whisky, admitir o enorme prazer que dá rebentar as bolinhas do plástico-bolha; 

- que ter avós emprestadas é alargar mundos; 

- que se pode dizer que não quando não nos apetece, só porque não nos apetece; 

- que se pode tentar calar a dor assobiando, sorrindo e cantarolando palavras estrangeiras.

sábado, 27 de setembro de 2025

 rerrom

esaelp

domingo, 10 de agosto de 2025

 dordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordprdordordordordordordordordordprdordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordordor

quinta-feira, 24 de julho de 2025

só mais uma vez

pessoas entusiasmadas
são
pessoas intensas
são 
pessoas que se tornam temidas

- reviram-se olhos
na copa -

são
pessoas que
são
traídas

 

quinta-feira, 10 de julho de 2025

CRAVA MAIS UMA FACA

o elevador desceu e levou-o daqui para sempre
    e vão seis
veio sangue e foi-se avô
    e vão oito    
foi-se casa e cabeça
    e vão três
associação  
    e vão quatro
foi-se um filho que não chegou a ser
    e vão dois
foi-se avó
    e vai um
foi-se depois amor e vida    
    e vão três
foi-se o irmão mais velho que fazia de pai
    e vai por i adiante
as almas gémeas das artes
que faziam vibrar microfones
e foi-se o microfone
os tios e avós afectivos
os amigos dos pais
e ainda ontem
foi-se com um gesto a confiança
logo depois a mãe
finalmente o pai verdadeiro

crava agora mais uma faca

a ver se ainda mexo

 

crava agora mais uma faca 
pode ser por trás

(ainda havia um espacinho)

quarta-feira, 9 de julho de 2025

datas, essas convenções

Anteontem há 75 anos matava-se a Manuela Porto, com 42 anos.

(antigo e estudado plano A: vou imitá-la)

Anteontem renascia mais forte o que morrera tão maltratado. 

Ontem há 65 anos nascia o Maçariku. 

(se tivesse seguido o plano A: já não passo por isso)

Ontem morria o que parecia que renascia. Infanticídio.


Saberá alguém eventualmente um dia entender as premissas com lógica... que há-de existir, não vos parece? Lógica de fins e recomeços. E a mão humana. Sempre.


sábado, 7 de junho de 2025

árvore

lado direito da frente da folha

Ainda não aceito
sigo amarela a rir
ainda não aceito

Se paro começo a sentir
o vinho acre
num ponto central interior e distópico
como o infinito
que há cá dentro a flutuar

Já tenho saudades
e ainda não sei
como será passarem anos
sem conversar contigo


lado esquerdo da frente da folha

Uma morte em aflição
o desassossego que deixa

eu
viva e irresponsável
culpada em sensação

espezinha-se tudo
até que desapareça
sob a calçada e sob a praia

continua-se o caminho autómato
até ao muro


lado esquerdo do verso da folha

uma margarida, um maçarico
uma mãe e um marques
sentaram-se comigo à mesa

um murmurou, um motivou
um magoou, um moderou
como se eu merecesse
música, medrar
merda e mesura

foi quando eu arranjei coragem
para lhes dizer
não me apetece mais

silêncio
(e muda magia
mártir marca)


quinta-feira, 2 de novembro de 2023

ansiedade, anemia...

ansiedade, anemia...

ando a jogar ao stop.

sexta-feira, 26 de maio de 2023

e do ar dela

 

uma canção antiga de Pedro e Diana
para um aniversário da ED
ouvir aqui

quinta-feira, 30 de março de 2023

Manuela Porto: o teatro devia ser outra coisa

 

Nasceu em 1908. Achava que o teatro devia ser outra coisa: “capaz de falar à inteligência e à sensibilidade, capaz de ajudar-nos a compreender a meada enredada que é a vida, capaz de colocar-nos em frente dos múltiplos problemas coletivos e individuais das humanas criaturas, obrigando-nos a pensar neles e a por nós próprios lhes buscarmos soluções.” Suicidou-se em 1950. Ficou conhecida por ser declamadora. Ficou conhecida? Não. De facto, já ninguém a conhece. Mas ainda dá o nome a algumas ruas. E ao foyer deste teatro, porque foi assim que o Teatro da Cornucópia lhe resolveu chamar. Mas afinal quem foi esta atriz, escritora, jornalista e ativista feminista e antifascista? E como foi sendo habitada a Sala Manuela Porto?

Neste episódio do Dito e Feito, a investigadora em estudos de teatro Diana Dionísio constrói um retrato que também desenreda várias camadas da vida cultural de uma cidade.

OUVIR AQUI


guião e montagem
Diana Dionísio
locução
Diana Dionísio e Toni
edição sonora do Dito e Feito
Pedro Macedo / Framed Films
música original do Dito e Feito
Raw Forest
produção
Teatro do Bairro Alto
2023

das cores subjectivas

Uma laranja azul
Uma castanha verde
Uma rosa amarela
Uma negra roxa
Uma branca prateada

Uma prata branqueada

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

versão

Ah, insanidade, vem com a idade
cabecinha sem tempero
faz chorar de riso com pouco siso
um riso tão desespero

Ah, porque você é louco assim?
assim, tão desandado
ah, cabeça minha, quem é do contra
não conhece sanidade

Vai, meu coração, esquece a razão
usa só loucuridade
quem semeia vento, diz a paixão
colhe belas tempestades

Pão, meu coração
larga miolo, miolo esfarelado
Vai, porque quem guarda o miolo
nunca é desmiolado

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Ruge

Trovoada.
As pessoas fazem perguntas estranhas: tens mais medo do trovão ou do relâmpago?
E agora reparo
O relâmpago faz-me fechar os olhos, baixar a cabeça, querer enterrar-me, começo a ter dificuldade de respirar, começo a arfar.
No trovão fecho mais os olhos, recolho os ombros, junto o queixo ao peito, tremo, peço desculpa por todos os males que fiz. Os trovões demoram.
Na absoluta fragilidade.
Uma trovoada mesmo em cima e eu fechada dentro de dois metros quadrados com um inimigo.
Os pneus são de borracha - dizem-me as pessoas que me fazem perguntas estranhas.
O que é que isso interessa?

terça-feira, 22 de novembro de 2022

as pedras fora dos bolsos

 que me deixassem prolongá-lo
que as paredes do corpo agarrassem aquela sensação cá dentro

os caminhos: a arte com palavras e cores
as dores: a corrida cinzenta
sem conversa, dança ou amores

ideias: soltas loucas mas
irmãs da persistência

(isto ontem)



terça-feira, 15 de novembro de 2022

minu zul escur

zilu zão

zu lão

azu nir

mi nur

mu ri

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

chove agulhas

o mais bonito de tudo são os teus olhos, gato
a preverem a parede a cair
que o vizinho mina

salpicam-te as costas as cãs
lembra-me a rima as rãs
escoo tudo por um gargalo

a receita pede minutos
as dores reais mais páginas
mas que mais dos ais?
imagens?

 

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

papel impermeável não dá pra escrever

faltava o açucarado húmido
das flores laranja dos jardins dos açores

ou algum pedaço de moléculas de ar da serra da estrela

) o som da televisão entupia tudo, enchia, ocupava à força, opiava (

faltava uma residência literária termal de quinze dias



sábado, 29 de outubro de 2022

dez minutos de teclas depois do ocaso

antes de ligar a rádio

terei voltado? assim mesmo sem volts?


depois de ligar a rádio

pensar depois depois não agora
sempre pra depois tudo pensar depois e depois
nunca


e a propósito daquilo:
eu não sou eu nem sou o outro
nada é, tudo se transforma a todo o momento
blá blá blá
e às vezes transformamo-nos pouco

demenos 

se há demais porque não há demenos?

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

15 de outubro

as estrelas todas que aprendi contigo
desaprendi-as
eu mitómana mitocôndria
os insectos fora dos alfinetes
um lenço roxo o SG lights as pedras
planetas de pirite falsos cubos nebulosas
ainda há cá clorofila
e faltam estrelas d’acampar

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

findo

o fim do mundo

o fim do tabaco

o fim do dia

o fim d

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

desaparicida

matraca que não respira nem deixa respirar
insuportável
ser de costas doridas, ancas gordurosas, coração em ácido

olhos a esforçar a superfície

não ter um meu planeta aqui, bolinha de bruxa
pra montar e fugir de tudo para sempre finalmente

matar a cabeça
matá-la
sair com alívio de dentro de mim

isto não ter fim
ser só sempre pesadelo de pedra de sísifo


domingo, 29 de agosto de 2021

mais ou menos

desde que nascemos que imitamos
imitamos os outros e depois começamos
a imitar-nos a nós próprios
quanto mais andamos mais andamos
quanto menos andamos menos andamos
quanto mais fazemos mais fazemos
quanto menos fazemos menos fazemos
quanto mais comemos mais comemos
quanto menos comemos menos comemos
quanto mais

segunda-feira, 19 de julho de 2021

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Achada na Rádio! - às sextas-feiras


Ouve na RÁDIO PARALELO
ou no dia seguinte, na PÁGINA DA CASA DA ACHADA

DJionísio a sirigaitar pela Gabriela

A Rádio Gabriela está a publicar alguns programas de DJionísio no seu blog! 

VER AQUI.

DJionísio faz programas para serem ouvidos. A maior parte são colagens de músicas, textos e outras divagações sobre um mesmo tema ou com pretextos variados. Alguns são para ouvir sentado, deitado ou pendurado pelos pés, outros são para dançar. Aqui se publica, especialmente a pensar nes ouvintes da Rádio Gabriela, uma escolha de alguns desses programas, já todos emitidos ao vivo em sessões diversas e/ou na Rádio Paralelo, e vários deles escutados nas sessões «Ouvido de Tísico» feitas mensalmente na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio.

domingo, 6 de dezembro de 2020

sábado, 31 de outubro de 2020

segunda-feira, 29 de junho de 2020

garibaldina



terça-feira, 9 de junho de 2020

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Correspondência Mário Dionísio - Ilse Losa

Esta sessão é coscuvilheira: vamos ouvir uma deliciosa troca de cartas, aproveitando o balanço do precioso trabalho de Karina Marques, que, embrenhando-se no espólio de Mário Dionísio e no de Ilse Losa, reuniu e tratou a correspondência entre os dois, publicando grande parte em ILSE LOSA – ESTREITANDO LAÇOS – CORRESPONDÊNCIA COM OS PARES LUSÓFONOS (1948-1999).

Os assuntos são muitos, dignos da curiosidade de qualquer pessoa que goste de ler cartas alheias, ainda por cima tratando-se de duas extraordinárias pessoas, dois pares com vidas cheias e inquieta produção de palavras e pensamento sobre um mundo que queriam ver mudado. Muito sobre literatura, a começar pela própria obra dos dois autores (incluindo as questões de língua que se levantam a uma refugiada judia alemã que quer escrever em português) e a constante colaboração de ambos em jornais e revistas. Foram os 300km que os separavam (um vivia em Lisboa, outro no Porto) que tornaram possível hoje podermos ler estas cartas que, não fosse essa distância geográfica, podiam ter sido conversas de café.
 
Esta sessão «Ouvido de Tísico» foi publicada na secção «Notícias» do site www.centromariodionisio.org da Casa da Achada - Centro Mário Dionísio no domingo 24 de Maio às 15h30.

Nas sessões «Ouvido de Tísico» a proposta é escutar. Fácil? Difícil? Num mundo que nos quer entupir os ouvidos, nós queremos continuar a fazer cócegas ao caracol. Ouvir-se-ão textos de vários autores, saladas musicais, documentos desencantados do Centro de Documentação da Casa da Achada, discos do princípio ao fim, entrevistas, enfim, de tudo um pouco. Pode-se ouvir de pé ou sentado, sentado ou deitado. Pode ouvir-se de olhos fechados ou abertos, abertos ou semicerrados. Pode-se desenhar enquanto se ouve, ou escrever, ou não fazer mais do que... ouvir.

sábado, 2 de maio de 2020

VIVA O PVEC!

Um jornal com poemas, desenhos, contos, reflexões, depoimentos, entrevistas, jogos e passatempos que se pode ler na internet. Feito pela Casa da Achada para assinalar com pensamento crítico, humor e poesia este 25 de Abril.

https://issuu.com/casadaachada/docs/pvec25abril
 para ler, clicar na imagem
para ler melhor, pôr para ler em «écrã inteiro»

Uma edição on-line a várias mãos em tempos de confinamento, com contribuições de Auretta Pini, Bertran Romero Sala, Diana Dionísio, Eupremio Scarpa, Gianfranco Azzali, Gianni Tamino, Giuseppe Morandi, Jacinto Lucas Pires, João Rodrigues, Jorge Silva Melo, José Smith Vargas, Luiz Rosas, Mário de Carvalho, Paolo Barbaro, Pedro Rodrigues, Pitum Keil do Amaral, Regina Guimarães, Saguenail, Serena Cacchioli, Sofia Ferreira Andrade, Sónia Gabriel, Yann Prost e ainda poemas de Ernest Hemingway, Franco Fortini, Joseph Brodski, Mário Dionísio e Pier Paolo Pasolini.

terça-feira, 28 de abril de 2020

25 de Abril: esses dois anos

Ouvido de tísico Nº 14
25 DE ABRIL: ESSES DOIS ANOS

Com muitas canções do GAC – Grupo de Açcão Cultural e textos e documentos da exposição 25 de ABRIL AO AR LIVRE – feita em 2014 pela Casa da Achada, com as colaborações de Catarina Barros, Clara Boléo, Cristina Mora, Diana Dionísio, Eduarda Dionísio, Eupremio Scarpa, F. Pedro Oliveira, Lara Afonso, Natércia Coimbra, Pedro Soares, Sónia Gabriel e Youri Paiva – que parte de frases de Mário Dionísio e de João Martins Pereira e nos dá a ver vários «fins» do 25 de Abril: fim ao pesadelo, ao medo, à solidão, fim ao «orgulhosamente sós», fim ao «Do Minho a Timor», fim ao «Deus, pátria, família», fim ao silêncio, à opressão, à repressão, fim à censura (jornais, rádio, televisão, literatura, teatro, cinema, canção, fim ao dever de obediência (casas, fábricas e campos ocupados, saneamentos), fim aos «servidores do Estado», fim à exploração, fim ao «basta saber ler, escrever e contar», fim à «alta cultura».

Neste programa, feito para o 25 de Abril da Casa da Achada, em época de quarentena, participam, com as suas belas vozes, Ana Queijo, Catarina Carvalho, Clara Boléo, Diana Dionísio, F Pedro Oliveira, Francisca Soares, Inês Nogueira, João Rodrigues, Lena Bragança Gil, Marta Raposo, Pedro Rodrigues, Pedro Mendes Soares, Rubina Oliveira, Serena Cacchioli, Sónia Gabriel, Susana Baeta e Toni.


Nas sessões «Ouvido de Tísico» a proposta é escutar. Fácil? Difícil? Num mundo que nos quer entupir os ouvidos, nós queremos continuar a fazer cócegas ao caracol. Ouvir-se-ão textos de vários autores, saladas musicais, documentos desencantados do Centro de Documentação da Casa da Achada, discos do princípio ao fim, entrevistas, enfim, de tudo um pouco. Pode-se ouvir de pé ou sentado, sentado ou deitado. Pode ouvir-se de olhos fechados ou abertos, abertos ou semicerrados. Pode-se desenhar enquanto se ouve, ou escrever, ou não fazer mais do que… ouvir.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

25 de Abril da Casa da Achada




Este 25 de Abril, dia em que a Casa da Achada se costuma encher de gente, conversas, canções e abraços, não nos poderemos encontrar, mas, dada esta liberdade condicionada que vivemos, precisamos ainda mais de um farnel para ajudar.

11h-15h:
25 de Abril: esses dois anos
Ouvido de Tísico nº 14
programa sonoro para ouvir de janela aberta
com textos e documentos da exposição «25 de Abril ao ar livre» e as canções do GAC

«25 de Abril – Esses dois anos» será um programa de dois pares de horas, feito a partir da exposição «25 de Abril ao ar livre» (que fizemos na Casa da Achada em 2014 e já circulou por várias terras), a que se misturam as canções do GAC (Grupo de Acção Cultural - Vozes em Luta). É assim um programa sonoro para ouvir de janela aberta, cheio de música e de textos, lidos a várias vozes: Ana Queijo, Catarina Carvalho, Clara Boléo, Diana Dionísio, F. Pedro Oliveira, Francisca Soares, Inês Nogueira, João Rodrigues, Lena Bragança Gil, Marta Raposo, Pedro Rodrigues, Pedro Soares, Rubina Oliveira, Serena Cacchioli, Sónia Gabriel, Susana Baeta e Toni.

16h:
lançamento do jornal PVEC – Processo Viral Em Curso
com intervenções de várias pessoas
sobre liberdade hoje

Às 16h lançamos o PVEC, Processo Viral Em Curso, uma edição on-line a várias mãos em tempos de confinamento, com contribuições de Auretta Pini, Bertran Romero Sala, Diana Dionísio, Eupremio Scarpa, Gianfranco Azzali, Gianni Tamino, Giuseppe Morandi, Jacinto Lucas Pires, João Rodrigues, Jorge Silva Melo, José Smith Vargas, Luiz Rosas,  Mário de Carvalho, Paolo Barbaro, Pedro Rodrigues, Pitum Keil do Amaral, Regina Guimarães, Saguenail, Serena Cacchioli, Sofia Ferreira Andrade, Sónia Gabriel, Yann Prost e ainda poemas de Ernest Hemingway, Franco Fortini, Joseph Brodski, Mário Dionísio e Pier Paolo Pasolini.
Um jornal com poemas, desenhos, contos, reflexões, depoimentos, entrevistas, jogos e passatempos que se poderá ler na internet. Para assinalar com pensamento crítico, humor e poesia este 25 de Abril, já que não nos vamos poder encontrar e conversar em festa e convívio na Casa da Achada, como tem sido hábito de há 10 anos para cá.

18h-24h:
Coro da Achada
lançamento de uma canção em vídeo e outras surpresas

O coro da Achada lança um vídeo e mais algumas surpresas que se ouvem e vêem. Foi a maneira que inventámos para estarmos o mais juntos possível a cantar as lutas de ontem, as refregas de agora e as desejadas emancipações futuras. 

Grupo de Teatro Comunitário
leituras em vídeo a partir do diário inédito de Mário Dionísio

O Grupo de Teatro Comunitário da Casa da Achada lê páginas do diário de Mário Dionísio, revelando os entusiasmos e as dúvidas da época, pela voz de um homem que viveu intensamente a revolução portuguesa e esses meses que se seguiram ao 25 de Abril, em que foi possível tanto do que antes parecia impossível.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Canções por um caminho de palavras

OUVIDO DE TÍSICO Nº 13

CANÇÕES POR UM CAMINHO DE PALAVRAS

As palavras puxam palavras e fazem um caminho de palavras. Cada palavra puxa uma canção e fazem um caminho de canções. Vamos ouvir esse caminho. Podem trazer pedrinhas: de pão, de chocolate, de cenoura, de queijo… a ver se a prima Vera chega e se nos deixa apanhar o sol e a sombra do quintal.

Nas sessões «Ouvido de Tísico» a proposta é escutar. Fácil? Difícil? Num mundo que nos quer entupir os ouvidos, nós queremos continuar a fazer cócegas ao caracol. Ouvir-se-ão textos de vários autores, saladas musicais, documentos desencantados do Centro de Documentação da Casa da Achada, discos do princípio ao fim, entrevistas, enfim, de tudo um pouco. Pode-se ouvir de pé ou sentado, sentado ou deitado. Pode ouvir-se de olhos fechados ou abertos, abertos ou semicerrados. Pode-se desenhar enquanto se ouve, ou escrever, ou não fazer mais do que… ouvir.

No sábado 21 de Março às 15h30, mais uma sessão de escuta da rubrica «Ouvido de Tísico» prometia dar as boas vindas à Primavera com convívio no quintal da Casa da Achada. Dadas as circunstâncias virais, a sessão nº 13 do Ouvido de Tísico – «canções por um caminho de palavras» – foi publicada online, para convivermos perto ao longe.

quinta-feira, 19 de março de 2020

uma canção em tempos de guerra viral

uma canção antiga que agora nos pareceu outra vez actual!

«dança, dança, figura dança,
ao som da finança, dança, dança
que belo canhão,
afinal, afinal a guerra é viral,
menos mal, menos mal,
não faz barulho,
é entulho, é entulho...»

Pedro e Diana gravados e misturados pelo João Ferro Martins

quinta-feira, 12 de março de 2020

a menina já não vai cantar no sábado

que pena não ir cantar para outros ouvirem
canções de zanga e liberdade
pensou a menina,
aliás, a sua silhueta,
porque ninguém a viu de facto no clube de futebol

decidiu então fazer "contactos sociais" apenas na rede
e percebeu que a rede era muito esburacada

encheu-se de alegria e esperança e coisas assim
e escreveu um poema inumano:

«366 ano 20 bissexto
março abril águas mil
hoje sol e um dia lindo
reunião marcada  17 18
search find
infotainement don't wacth
segurança 123 disponível
tradução automática key in fact/ infect
sabotagem
it's stupid my love start
error stop»


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

A sombra faz a silhueta cuspir
mas na verdade quando a luz ali bate
se vê que são sombras de ramos da árvore
que cresceu muito e está bonita

as sombras
juntam-se na silhueta ao corpo
verde regado de luz e água e vida,
ai, que belo natural fabricado...

e pronto, acabou-se a estética,
que pena,

e já não se pode continuar a modernidade
nem a pós-modernidade, menina.

Nem após.