quinta-feira, 26 de março de 2020

Canções por um caminho de palavras

OUVIDO DE TÍSICO Nº 13

CANÇÕES POR UM CAMINHO DE PALAVRAS

As palavras puxam palavras e fazem um caminho de palavras. Cada palavra puxa uma canção e fazem um caminho de canções. Vamos ouvir esse caminho. Podem trazer pedrinhas: de pão, de chocolate, de cenoura, de queijo… a ver se a prima Vera chega e se nos deixa apanhar o sol e a sombra do quintal.

Nas sessões «Ouvido de Tísico» a proposta é escutar. Fácil? Difícil? Num mundo que nos quer entupir os ouvidos, nós queremos continuar a fazer cócegas ao caracol. Ouvir-se-ão textos de vários autores, saladas musicais, documentos desencantados do Centro de Documentação da Casa da Achada, discos do princípio ao fim, entrevistas, enfim, de tudo um pouco. Pode-se ouvir de pé ou sentado, sentado ou deitado. Pode ouvir-se de olhos fechados ou abertos, abertos ou semicerrados. Pode-se desenhar enquanto se ouve, ou escrever, ou não fazer mais do que… ouvir.

No sábado 21 de Março às 15h30, mais uma sessão de escuta da rubrica «Ouvido de Tísico» prometia dar as boas vindas à Primavera com convívio no quintal da Casa da Achada. Dadas as circunstâncias virais, a sessão nº 13 do Ouvido de Tísico – «canções por um caminho de palavras» – foi publicada online, para convivermos perto ao longe.

quinta-feira, 19 de março de 2020

uma canção em tempos de guerra viral

uma canção antiga que agora nos pareceu outra vez actual!

«dança, dança, figura dança,
ao som da finança, dança, dança
que belo canhão,
afinal, afinal a guerra é viral,
menos mal, menos mal,
não faz barulho,
é entulho, é entulho...»

Pedro e Diana gravados e misturados pelo João Ferro Martins

quinta-feira, 12 de março de 2020

a menina já não vai cantar no sábado

que pena não ir cantar para outros ouvirem
canções de zanga e liberdade
pensou a menina,
aliás, a sua silhueta,
porque ninguém a viu de facto no clube de futebol

decidiu então fazer "contactos sociais" apenas na rede
e percebeu que a rede era muito esburacada

encheu-se de alegria e esperança e coisas assim
e escreveu um poema inumano:

«366 ano 20 bissexto
março abril águas mil
hoje sol e um dia lindo
reunião marcada  17 18
search find
infotainement don't wacth
segurança 123 disponível
tradução automática key in fact/ infect
sabotagem
it's stupid my love start
error stop»


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

A sombra faz a silhueta cuspir
mas na verdade quando a luz ali bate
se vê que são sombras de ramos da árvore
que cresceu muito e está bonita

as sombras
juntam-se na silhueta ao corpo
verde regado de luz e água e vida,
ai, que belo natural fabricado...

e pronto, acabou-se a estética,
que pena,

e já não se pode continuar a modernidade
nem a pós-modernidade, menina.

Nem após.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

es lo que hay
la gentrificación
es lo que hay
la ciudad del patrón

pero no sera siempre así
la gente va a ocupar
la ciudad la ciudad
no se va a ficar

(a menina pires ouviu esta canção em Lisboa e registou - já não sabe se era bem assim)