terça-feira, 30 de novembro de 2010

poema para o desenho onze de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

o senhor doutor tinha um olho pequeno e no olho pequeno usava um óculo
o óculo era tão grande que era para aí cinco vezes o tamanho do olho grande
o senhor doutor só tinha uma orelha e só ouvia do lado esquerdo
no lado esquerdo tinha uma orelha e no lado direito usava um óculo
o óculo era tão grande que com ele se podia ver muito bem o mundo todo
o senhor doutor passava a vida a estudar tudo e o mundo todo e nunca chegava a nenhuma conclusão
o rubor do senhor doutor e os lábios e os risinhos não enganavam ninguém porém
todos sabiam que escondia a garrafinha na prateleira de baixo dum armário do escritório
não era preciso ser doutor para saber

mas é figura respeitável um doutor que tudo sabe sem chegar a conclusões
e que munido do gigante óculo passa o dia no escritório bem fechado
para não dar azo a distracções

1 comentário:

Filipe Santos disse...

se não chega a conclusões, de que lhe vale saber tudo? há muito do género, por aí...infelizmente...