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Pàstipinto
a silhueta da menina pires é uma sombra e uma mão
foi um dia em que o Priolo
na sua melhor cara de bolo
acordou, levantou-se
hesitou, espreguiçou-se
e miou:
do círculo somos o vórtice!
do quadrado somos o vértice!
da minha mãe
eu
que tenho uma amiga verdadeira
que é quase igual ao teu
pai
do teu pai
tu
que dormes comigo
que sou
quase tua
"E já viu um macaquinho a quem tiraram a mãe? Nunca mais pára de chorar. Mas a criança, mesmo quando não é um futuro Galileu? Chora alguns momentos até que se distrai com a sombra."
Abelaira, O TRIUNFO DA MORTE
mercadinho
perguntado
bronquites
virulentas
perfumados
resultando
desobrigam
conto mil ameaças às árvores
sapos parteiros, tritões e carriças
e àqueles rios e rios a correr a brotar de todo o lado
sorte que a vida seja finita
que os nossos olhos
não tenham de saber tudo
a minha pedra antes tua
a tua massa tom meu
o teu luxo semi meu
uma lufada que me enriqueceu
e essa crista que aqui junta
e também
lentas gabardines
que lentas se interessam
depois da noite de insónia
do dia de amor
antes da noite de amor
do dia de mergulho
penso em como o C é adulto e pragmático
sempre presente
as chaves o carregador
o cartão os comprimidos
as compras o creme os correios
o centro de saúde
o casaco o chapéu
as contas
a casa
quando me lembro daquela conversa cheia de curiosidade sobre as desgraças passadas e oiço ecoando aquelas gargalhadas a cair sobre os pratos penso que
já conheci ladrõezecos e pessoas cheias de inveja, individualistas egoístas e pessoas que não resistem ao consumo ou aos modelos de lar e família do capitalismo, gente que chupa sempre o pouco que pode do sangue alheio, que se encosta, que passa à frente, manipuladores de linguagem e de massas
mas de facto
nunca tinha conhecido ninguém tão dissimulado e maléfico