domingo, 1 de fevereiro de 2026
sábado, 31 de janeiro de 2026
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
simples
um monte de farinha um naco de manteiga um punhado de açúcar
e sentir-me em casa
quando estamos a rir
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
assado
descem aos infernos
sobem aos invernos
largam a órbita e
continuuuuuuam
ainda com degraus
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
domingo, 18 de janeiro de 2026
dedicar
plantar a sola toda no solo
sem solda nem soldo a toldar
um par são dois
há dois caminhos para existir o par
aqui
é onde me sinto amada
então aqui
de-di-car
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
humptydumpty
não é loucura esta periclitância
nem culpa minha
liberdade e desejo
te quero
vens atrás de mim
ou vais perder-me?
felinagro
sábado, 27 de dezembro de 2025
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
Separata dos Amigos Abalados
Joana Rita Lena Mitó?
Onde anda agora a vossa voz?
Que ruas escutam vossos passos?
Ao norte? ao sul? aonde? aonde?
Antonino Olímpio Ângelo Rui
E tu Manel de olhos claros
E tu Filomena E tu Gabriela
E tu Margarida?
Que estradas colhem vosso olhar?
Onde anda agora a vossa vida repartida?
A oeste? A leste? Aonde? aonde?
Olho prà frente prà cidade
e pràs outras cidades por trás dela
onde se agitam outras gentes
que nunca ouviram vosso nome
e vejo em tudo a vossa cara
e oiço em tudo o som amigo
a voz de um a voz de outro
e aquele fio de sol que se agitava
sempre
em todos nós
Dançam as casas nesta noite
ébrias de sombra nesta noite
que se prolonga em plena angústia
aos solavancos do destino
e não consegue estrangularmos
Sigo e pergunto ao vento à rua
e a esta ânsia inviolável
que embebe o ar de calafrios
Onde estais vós? onde estais vós?
E por detrás de cada esquina
e por detrás de cada vulto
o vento traz-me a vossa voz
a rua traz-me a vossa voz
a voz de um a voz de outro
toada amiga que me banha
tão confiante tão serena
Aqui aqui em toda a parte
Aqui aqui E tu? aonde?
Adaptação de "Balada dos amigos separados" de Mário Dionísio
solstício lunar
já a gravidade não tem mãe, não tem pai
já a gravidade tem as nossas mãos apertadas
as tuas quentes, as minhas frias
é o sol de inverno que cura
e a lua que continua, que olha por nós
dos 100 graus negativos aos 100 positivos
com os olhos fundos e feiticeiros
o fogo quando
os nossos peitos pulsantes se aproximam
criará filhos belos
pelo menos, um grande amor
do outro mundo
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
mães
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
inevitabilidade
o sorriso automático pouco duradouro
a piada na ponta da língua, a desviar as palavras importantes, as emoções grandes
a festa condescendente no cabelo
os gestos repetidos repetidos repetidos
não são, como queres, fruto natural dos anos
são sim o caminho por onde decidiste seguir e que não ousaste transformar
que não ousas transformar
o caminho que queres continuar a pisar
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
a escorripichar
abro os olhos no escuro
e no escuro
desabrocham manchas mais escuras
entrechocam-se
devoram-se
tudo vai sendo comido
preto sobre preto sobre preto
da vida perdemos o sentido
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
Lena
sábado, 27 de setembro de 2025
domingo, 10 de agosto de 2025
quinta-feira, 24 de julho de 2025
só mais uma vez
pessoas entusiasmadas
são
pessoas intensas
são
pessoas que se tornam temidas
- reviram-se olhos
na copa -
são
pessoas que
são
traídas
quinta-feira, 10 de julho de 2025
CRAVA MAIS UMA FACA
o elevador desceu e levou-o daqui para sempre
e vão seis
veio sangue e foi-se avô
e vão oito
foi-se casa e cabeça
e vão três
associação
e vão quatro
foi-se um filho que não chegou a ser
e vão dois
foi-se avó
e vai um
foi-se depois amor e vida
e vão três
foi-se o irmão mais velho que fazia de pai
e vai por i adiante
as almas gémeas das artes
que faziam vibrar microfones
e foi-se o microfone
os tios e avós afectivos
os amigos dos pais
e ainda ontem
foi-se com um gesto a confiança
logo depois a mãe
finalmente o pai verdadeiro
a ver se ainda mexo
crava agora mais uma faca
pode ser por trás
quarta-feira, 9 de julho de 2025
datas, essas convenções
Anteontem há 75 anos matava-se a Manuela Porto, com 42 anos.
(antigo e estudado plano A: vou imitá-la)
Anteontem renascia mais forte o que morrera tão maltratado.
Ontem há 65 anos nascia o Maçariku.
(se tivesse seguido o plano A: já não passo por isso)
Ontem morria o que parecia que renascia. Infanticídio.
Saberá alguém eventualmente um dia entender as premissas com lógica... que há-de existir, não vos parece? Lógica de fins e recomeços. E a mão humana. Sempre.
sábado, 7 de junho de 2025
árvore
lado direito da frente da folha
Ainda não aceito
sigo amarela a rir
ainda não aceito
Se paro começo a sentir
o vinho acre
num ponto central interior e distópico
como o infinito
que há cá dentro a flutuar
Já tenho saudades
e ainda não sei
como será passarem anos
sem conversar contigo
lado esquerdo da frente da folha
Uma morte em aflição
o desassossego que deixa
eu
viva e irresponsável
culpada em sensação
espezinha-se tudo
até que desapareça
sob a calçada e sob a praia
continua-se o caminho autómato
até ao muro
lado esquerdo do verso da folha
uma margarida, um maçarico
uma mãe e um marques
sentaram-se comigo à mesa
um murmurou, um motivou
um magoou, um moderou
como se eu merecesse
música, medrar
merda e mesura
foi quando eu arranjei coragem
para lhes dizer
não me apetece mais
silêncio
(e muda magia
mártir marca)
quinta-feira, 2 de novembro de 2023
sexta-feira, 26 de maio de 2023
quinta-feira, 30 de março de 2023
Manuela Porto: o teatro devia ser outra coisa
Nasceu em 1908. Achava que o
teatro devia ser outra coisa: “capaz de falar à inteligência e à
sensibilidade, capaz de ajudar-nos a compreender a meada enredada que é a
vida, capaz de colocar-nos em frente dos múltiplos problemas coletivos e
individuais das humanas criaturas, obrigando-nos a pensar neles e a por
nós próprios lhes buscarmos soluções.” Suicidou-se em 1950. Ficou
conhecida por ser declamadora. Ficou conhecida? Não. De facto, já
ninguém a conhece. Mas ainda dá o nome a algumas ruas. E ao foyer deste
teatro, porque foi assim que o Teatro da Cornucópia lhe resolveu chamar.
Mas afinal quem foi esta atriz, escritora, jornalista e ativista
feminista e antifascista? E como foi sendo habitada a Sala Manuela
Porto?
Neste episódio do Dito e Feito, a investigadora em estudos de teatro
Diana Dionísio constrói um retrato que também desenreda várias camadas
da vida cultural de uma cidade.
guião e montagem
Diana Dionísio
locução
Diana Dionísio e Toni
edição sonora do Dito e Feito
Pedro Macedo / Framed Films
música original do Dito e Feito
Raw Forest
produção
Teatro do Bairro Alto
2023
das cores subjectivas
Uma laranja azul
Uma castanha verde
Uma rosa amarela
Uma negra roxa
Uma branca prateada
Uma prata branqueada
quinta-feira, 29 de dezembro de 2022
versão
Ah, insanidade, vem com a idade
cabecinha sem tempero
faz chorar de riso com pouco siso
um riso tão desespero
Ah, porque você é louco assim?
assim, tão desandado
ah, cabeça minha, quem é do contra
não conhece sanidade
Vai, meu coração, esquece a razão
usa só loucuridade
quem semeia vento, diz a paixão
colhe belas tempestades
Pão, meu coração
larga miolo, miolo esfarelado
Vai, porque quem guarda o miolo
nunca é desmiolado
quarta-feira, 7 de dezembro de 2022
Ruge
Trovoada.
As pessoas fazem perguntas estranhas: tens mais medo do trovão ou do relâmpago?
E agora reparo
O relâmpago faz-me fechar os olhos, baixar a cabeça, querer enterrar-me, começo a ter dificuldade de respirar, começo a arfar.
No trovão fecho mais os olhos, recolho os ombros, junto o queixo ao peito, tremo, peço desculpa por todos os males que fiz. Os trovões demoram.
Na absoluta fragilidade.
Uma trovoada mesmo em cima e eu fechada dentro de dois metros quadrados com um inimigo.
Os pneus são de borracha - dizem-me as pessoas que me fazem perguntas estranhas.
O que é que isso interessa?
terça-feira, 22 de novembro de 2022
as pedras fora dos bolsos
que me deixassem prolongá-lo
que as paredes do corpo agarrassem aquela sensação cá dentro
os caminhos: a arte com palavras e cores
as dores: a corrida cinzenta
sem conversa, dança ou amores
ideias: soltas loucas mas
irmãs da persistência
(isto ontem)
terça-feira, 15 de novembro de 2022
quarta-feira, 9 de novembro de 2022
chove agulhas
o mais bonito de tudo são os teus olhos, gato
a preverem a parede a cair
que o vizinho mina
salpicam-te as costas as cãs
lembra-me a rima as rãs
escoo tudo por um gargalo
a receita pede minutos
as dores reais mais páginas
mas que mais dos ais?
imagens?
quarta-feira, 2 de novembro de 2022
papel impermeável não dá pra escrever
faltava o açucarado húmido
das flores laranja dos jardins dos açores
ou algum pedaço de moléculas de ar da serra da estrela
) o som da televisão entupia tudo, enchia, ocupava à força,
opiava (
faltava uma residência literária termal de quinze dias
sábado, 29 de outubro de 2022
dez minutos de teclas depois do ocaso
antes de ligar a rádio
terei voltado? assim mesmo sem volts?
depois de ligar a rádio
pensar depois depois não agora
sempre pra depois tudo pensar depois e depois
nunca
e a propósito daquilo:
eu não sou eu nem sou o outro
nada é, tudo se transforma a todo o momento
blá blá blá
e às vezes transformamo-nos pouco
demenos
se há demais porque não há demenos?
quinta-feira, 20 de outubro de 2022
15 de outubro
as estrelas todas que aprendi contigo
desaprendi-as
eu mitómana mitocôndria
os insectos fora dos alfinetes
um lenço roxo o SG lights as pedras
planetas de pirite falsos cubos nebulosas
ainda há cá clorofila
e faltam estrelas d’acampar
quarta-feira, 3 de novembro de 2021
quinta-feira, 2 de setembro de 2021
desaparicida
matraca que não respira nem deixa respirar
insuportável
ser de costas doridas, ancas gordurosas, coração em ácido
olhos a esforçar a superfície
não ter um meu planeta aqui, bolinha de bruxa
pra montar e fugir de tudo para sempre finalmente
matar a cabeça
matá-la
sair com alívio de dentro de mim
isto não ter fim
ser só sempre pesadelo de pedra de sísifo
domingo, 29 de agosto de 2021
mais ou menos
desde que nascemos que imitamos
imitamos os outros e depois começamos
a imitar-nos a nós próprios
quanto mais andamos mais andamos
quanto menos andamos menos andamos
quanto mais fazemos mais fazemos
quanto menos fazemos menos fazemos
quanto mais comemos mais comemos
quanto menos comemos menos comemos
quanto mais
segunda-feira, 19 de julho de 2021
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
Achada na Rádio! - às sextas-feiras
Ouve na RÁDIO PARALELO
ou no dia seguinte, na PÁGINA DA CASA DA ACHADA
DJionísio a sirigaitar pela Gabriela
A Rádio Gabriela está a publicar alguns programas de DJionísio no seu blog!
VER AQUI.
DJionísio faz programas para serem ouvidos. A maior parte são colagens de músicas, textos e outras divagações sobre um mesmo tema ou com pretextos variados. Alguns são para ouvir sentado, deitado ou pendurado pelos pés, outros são para dançar. Aqui se publica, especialmente a pensar nes ouvintes da Rádio Gabriela, uma escolha de alguns desses programas, já todos emitidos ao vivo em sessões diversas e/ou na Rádio Paralelo, e vários deles escutados nas sessões «Ouvido de Tísico» feitas mensalmente na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio.



