sábado, 16 de agosto de 2008
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
C. C.
Venha calçado.
Tape várias partes do corpo.
Traga dinheiro ou um cartão bancário.
Apague o seu cigarro e entre.
Deixe o cão na rua.
Se não tiver telemóvel traga trocos para as cabines.
Ande.
De trás para a frente, de um lado para o outro.
Não se sente nas escadas.
Não corra nos corredores.
Coma e compre.
Beba e babe-se.
Saia e acenda o seu cigarro.
Revolução
É o melhor para o amor
É o melhor para a alegria
Veja isto por favor
Tem abertura fácil
Tão prática e barata
Tem muitas cores
Toda a gente quer
Mas tem receio de experimentar
É útil, excitante, indispensável
É urgente, importante, homem e mulher
Toda a gente quer
Mas tem receio de experimentar
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Falta de amnésia
o presente é um muro
duro
É preciso esquecer para
lembrar o que vai
acontecer
Abre-se a reminiscência
o parto luminoso
aprender
Não existe o espírito eterno
é só brilho ideal e parte
da ignorância
Não podes reencarnar
mas podes convidar filósofos
para jantar
E assim uma mentira grega
pode ajudar a esquecer
a esquecer a verdade
segunda-feira, 21 de julho de 2008
O sextos da Kylakäncra
I
tu numa carcaça vermelha
semi-recheada de estruturas
com bases anti-raio de ligação ao mundo
juntas as pestanas em ralenti
acalmas o tambor do peito
abres os canais e eles quase latejam
queres a estrela só reflexo
articulando a asa está frio
acendes depois de tudo um cigarro
tu numa carcaça vermelha
ela de olhos fechados
ela a dormir e tu não consegues
não és uma máquina
não tens motor
o vermelho grito afinal é teu
II
quatro luzes na ribalta
a luz dos que gritam
a luz dos que sorriem
a luz dos normais
a dos amigos dos animais
a força vem da primeira
a dúvida vem da segunda
o rangedor é na terceira
o veneno vem da última de todas
III
se grande se escreve
com letra pequena
e pequena
se escreve com letra pequena
temos duas pequenas:
uma pequena e outra grande
IIII
o papel mas
no outro sentido
no outro sentido
as letras no mesmo
quando já se virou o sentido
do papel
também se podia virar
o sentido das letras
é tão raro
IIIII
páginas aos sextos mal vincadas
os tímpanos quase furados
um subproduto humano a ajudar
para quê descrever o quadro?
e se um grão de terra do chão
se começar a mexer?
um som a crescer?
de repente
voltaram os tímpanos
seria para durar?
dormir
dor-mir é que era bom
IIIIII
sempre que aquele cão se aproxima
o outro rosna.
é preciso que se afaste um cão do outro!
devem chamar-se muitos cães
e aumentar a confusão;
que a matilha seja um labirinto
para o cão que se aproxima
e para o cão que rosna!
é preciso apaziguá-los
domá-los
catequizá-los!
E que ninguém rosne neste país!
IIIIIII
ouve
quero sair daqui
quero ir-me embora, partir, sumir
fugir
deixa-me fugir contigo
e para onde formos que seja longe
longe mas quente
e as minhas têmporas aí amolecerão
contigo e mar a brilhar em frente
ou então por todos os poros
o mar
quinta-feira, 17 de julho de 2008
elefante
sexta-feira, 11 de julho de 2008
mais uma lição de francês
sombra de dúvida
formada pela ausência parcial da luz,
chanson de la pierre
j'aime bien le révolu
j'aime bien si tu es bête
j'aime le pion et le fou
j'aime la tempêtej'aime l'amèr
j'aime la pierre
de la rue
j'aime mal la douceur
j'aime mal l'amour
j'aime mal la peur
et l'épée de la peur
j'aime la tempête
j'aime la trotinette
j'aime la pierre et le chien
de la rue
(a menina pires dá erros em francês)
terça-feira, 8 de julho de 2008
quarta-feira, 2 de julho de 2008
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Último ano do Curso de Teatro do Conservatório Nacional
1º ano do Curso de Teatro do Conservatório Nacional
a) É dizer de forma que todos compreendam o sentido do trecho que se está dizendo.
b) Como se aprende a dizer bem?
b) Pronunciando com todas as clarezas e com as inflexões indispensáveis a cada palavra articular muito bem, fazendo as devidas pausas e fazendo bem a acentuação etc.
c) A Arte de Representar é indispensável na Arte (digo sem efeito)
c) A Arte de Dizer é indispensável na Arte de Representar e porquê?
c) Porque para ser um bom actor é indispensável ter uma boa dicção para assim ser compreendido pelo os espectadores.
d) O que se entende por Arte de Representar?
d) É encarnar o personagem de qualquer peça.
e) A quem pode interesar a não ser aos artistas de teatro o dizer bem?
e) Aos advogados aos conferentes e a todos os que falam em público.
f) Como é que a Arte de Dizer e a Arte de Representar se conciliam e completam reciprocamente?
f) Porque sem uma ser feita a outra não pode ser.
g)Como se deve fazer a análise de um trecho seja êle prosa ou verso?
g) Compenetrarmo-nos das ideias dos outros e do género e sendo poesias da métrica do verso.
h) Dum modo geral para lêr expressivamente um trecho em prosa ou recitar qualquer trecho em verso a que trabalho preliminar se deve proceder para fazer uma leitura expressiva e uma recitação artística?
h) Compreender bem o trecho e dar-lhe o colorido próprio a cada frase.
i) Como efeito teatral o que se dve procurar dentro de qualquer trecho?
i) A palavra de valor.
domingo, 29 de junho de 2008
citação e colagem
quinta-feira, 26 de junho de 2008
O Maio no Junho
rasteira
tira isso da frente
deixa ver
os pontinhos quadradinhos
... está bem
mas deixa ver
o que está escondido
por trás disso
está escondido
o olho que viu o melro
o melro que viu o bico
o bico que tocou orelha
A orelha é feia
tão feia como o dedo grande do pé
orelha baixa
orelha rasteira
vou para casa
- Vou para casa cortar o cabelo
- Vou para casa mentir às janelas
- Vou para casa e antes às compras
quarta-feira, 25 de junho de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Marquês de Sade, A filosofia na alcova

sexta-feira, 30 de maio de 2008
Da capital
terça-feira, 27 de maio de 2008
Teatros e Cinemas
segunda-feira, 26 de maio de 2008
A estrada do Outão continua a avançar para o mar
sábado, 24 de maio de 2008
terça-feira, 20 de maio de 2008
a trama
essa trama ficou com as dores nas voltas e entroncamentos da linha
a trama da vida de hoje, tramada, a trama das estradas, das ruas, dos caminhos de sinais de trânsito, luzes, pontes e loopings, das redes virtuais e das redes de pesca que cada vez mais apanham peixes petroleados
a trama dos sons, das notas que não se escrevem, dos ruídos, das frases e palavras que se misturam umas com as outras e se ligam e desligam enquanto andamos pela cidade
a trama da nossa cabeça
a nossa cabeça urde e desurde pensamentos, tece e destece ideias e ainda as remenda e ainda as rasga, e tem também nós tremendos lá dentro, alguns tão difíceis de desatar...
e ainda quando nos tramam, todos os dias a todos os minutos
quando eles nos tramam
e ainda da possibilidade que temos de tramá-los a eles
a trama cantaremos se a tanto nos ajudar o engenho e arte
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Mary Pires
Doris Lessing, A erva canta
The way the wind blows (no sentido em que sopra o vento)
the way the wind blows.
They are sitting
but they will go.
The wind blows
the way the wind blows.
They're the dull class
the beggars' shadows
and they sit
and they go.
They will go
the way the wind blows.
O vento sopra
no sentido em que sopra o vento.
Eles estão sentados
mas hão-de partir.
O vento sopra
no sentido em que sopra o vento.
São a chata classe
sombras de mendigos
e sentam-se
e vão.
Eles hão-de partir
no sentido em que sopra o vento.
(anónimo século XVII, tradução menina pires)
terça-feira, 13 de maio de 2008
No quintal
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Tão longe, a guerra
infância1985
As grandes cabeças em vôos com dores mandam lavar as patas.
randori dois
ele olha para o lago
e vê um espelho
ele olha para um espelho
e vê que lhe falta um pêlo
ele olha para o pêlo
e vê a perda
ele olha para a perda
e vê a pedra
ele olha para a pedra
e atira ao lago
e parte-se o espelho
e cresce-lhe um pêlo
e olha para a mão
e já não tem a pedra
Grupo de sócios e amigos do Grémio Lisbonense apresenta queixa à IGAI relativamente à carga policial de dia 8 de Fevereiro
Juntamo-nos como um grupo de cidadãos independentes com interesse em que seja apurada a verdade e a responsabilidade sobre os incidentes desse dia. Alguns dos pontos principais da nossa queixa baseiam-se em:
1- uso injustificado da força na recepção aos manifestantes: alguns dos simpatizantes do Grémio foram agredidos com bastonadas ao aproximar-se da entrada da instituição, sem que alguma vez tivesse sido dada ordem de dispersão ou dito que os presentes estariam a incorrer em algum tipo de infracção; nenhum dos amigos e sócios do Grémio Lisbonense se encontrava armado ou constituía ameaça à integridade física dos agentes de autoridade presentes;
2- muitos dos agentes no local não se encontravam identificados e recusaram mesmo identificar-se quando, na sequência das agressões, tal lhes foi solicitado pelos presentes;
3- a actuação da polícia caracterizou-se por um inqualificável abuso da força e autoridade, tendo sido permanentemente preferido o recurso à força física e à violência perante cidadãos que, mesmo após as agressões por parte dos agentes, mantinham uma atitude apaziguadora, apelando sucessivamente à calma;
4- a carga policial foi feita sem pré-aviso, com muitos dos presentes ainda sentados nas escadas. A movimentação dos agentes colocou em causa a integridade física de todos os manifestantes que se encontravam no local. A sua acção foi pautada pela agressão gratuita, visto ter sido em muitos casos dirigida a manifestantes encurralados e aos quais era impedido pela própria polícia abandonar o local.
5- na sequência da acção polícial, vários dos manifestantes ficaram feridos, recorrendo a tratamento hospitalar.
Ao entregarmos formalmente a queixa à Inspecção Geral da Administração Interna (IGAI), colocámos à disposição desta provas físicas em defesa dos pontos anteriores, bem como vários testemunhos recolhidos nessa noite.
Esperamos que as averiguações ajudem a apurar a verdade sobre os factos, e mesmo a esclarecer algumas das afirmações contraditórias que têm vindo a ser publicitadas. Acreditamos que a acção policial foi desapropriada e perigosa para todos os que se encontravam no local, para além de ter sido pautada por um abuso de força que, infelizmente, tem vindo a ser imagem de marca das nossas forças policiais nos últimos anos, como vários relatórios comprovam.
Ignorar os factos ocorridos no dia 8 de Fevereiro pode apenas contribuir para um agravar da situação, dando aval à arbitrariedade e ao abuso da violência por parte das forças de segurança. A Administração Interna deve assumir as suas responsabilidades, evitando que Portugal continue na lista negra dos direitos humanos em vários relatórios internacionais.
terça-feira, 6 de maio de 2008
sábado, 3 de maio de 2008
Mulheres de Atenas
as músicas por coisas
inventam-se as coisas
as músicas depois passam
a sê-las
ficam saladas
e há a ordem das saladas
mas escrevem-se
listas e títulos
como se pudesse organizar-se
ouvem-se
na festa imaginada
que grita
por não ser marcada
não puxa
todos estes passos
e as músicas depois passam
para outros discos
só na cabeça
já não estávamos em Itália
eram horas de ser horas
de cantar
mas sozinho não se canta
sem guitarra sim
mas sozinho não
e entretanto
havia impaciência miudinha
de gentes carentes de net
de telemóveis
de tabaco
e que iam estragar a voz
assim
entretanto
já não estávamos em Itália
entretanto
tínhamos voltado
e queríamos sorrir para o lado
e acabávamos
a sorrir de lado
memórias do eixo norte/sul 2
na cidade acordava ao fim da manhã, mas no campo acordei muito cedo, saí da cama e sentei-me no meio do bosque.
e pronto. lá me deixei estar um bocadinho e fiquei muito espantada, como já sabia que as pessoas da cidade ficavam quando iam ao campo.
os pássaros faziam uma chinfrineira. cada um era diferente do outro. tudo misturado. diferentes ritmos e timbres. uns mais abaixo e outros mais acima.
e, por entre os quadrados de uma cerca que lá havia, uma aranha trabalhava meticulosamente na sua teia. eu, que era da cidade, consegui ficar minutos sem fim a olhar para ela. a ver cada nova linha, cada vez mais no centro.
quanto tempo vivia uma aranha? pensei que nem as pessoas do campo sabem isso. as aranhas estão sempre lá.
quanto tempo vivem os pássaros que migram? passam mais tempo na terra em que nascem ou naquela para onde vão? passam mais tempo a viajar? chegam a voltar à terra em que nasceram? os ninhos das andorinhas - que vejo na cidade - são ocupados pelas mesmas andorinhas no ano seguinte? ou são outras as andorinhas?
terça-feira, 29 de abril de 2008
A precariedade revela-se!
Ora dá cá um
e depois dá outro
Dá cá três patrões
que só dois é pouco
Ai, eu gosto tanto
de fazer biscates
Pôr o meu corpinho
nos escaparates
Ora dá cá um
e depois dá outro
Passa três recibos
que só dois é pouco
Ai, eu gosto tanto
de trabalhar
e de não ter tempo
para descansar
Ora faz lá um
e depois faz outro
É melhor três estágios
que só dois é pouco
Ai, eu gosto tanto
da minha empresa
Trabalho à borla
com delicadeza
Ora dá cá uma
e depois dá outra
Dá três horas extra
não abras a boca
Ai, eu gosto tanto
de ser explorado
De dar o couro
e ter quarto alugado
segunda-feira, 28 de abril de 2008
segunda-feira, 21 de abril de 2008
a escrita
de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as
Lteras de uma plravaa etãso,
a úncia csioa iprotmatne é que
a piremria e útmlia Lteras etejasm
no lgaur crteo. O rseto pdoe ser
uma bçguana ttaol, que vcoê
anida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos
cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa
cmoo um tdoo.
35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GOQU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4RB3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!


















