Agitatevi perché avremo bisogno di tutto il vostro coraggio. Organizzatevi perché avremo bisogno di tutta la vostra forza. Studiate perché avremo bisogno di tutta la vostra intelligenza. (Antonio Gramsci)
O ciclope só tinha um olho ou tinha três? Eu acho que só um.
Havia ainda que falar sobre os amblíopes, os cegos, os estrábicos, os míopes...
Mas ficamo-nos pelo Argos Panoptes.
Porque quando tu te ris, ris-te toda. E acho isso tão belo. Porque eu já não sou assim. Sou cínica, amarga, céptica, ácida, crua, fria, dura, azeda, desalentada, sarcástica e corroo. Destilo ódio ou desilusão.
Nos panelões da tinta vermelho-escura de carne viva me mergulharam. Voltei à superfície da terra ainda pingante e fumegante e com a goela aberta em grito de münch.
Bateram-me as carnes com o martelo de ferro das cozinhas sobre tábua de madeira, outras vezes.
E tu pareces saber de tudo isso que há no mundo e mesmo assim continuas a saber resplandecer. E olhas para as coisas nos olhos das coisas. Eu já não foco.
A tinta de carne viva é agora crosta e a carne viva é agora fóssil. O que ainda vive em mim está muito mais para dentro. E inatingível. Já não posso falar com a minha carne viva. Nem tu.
Ela tinha umas botas azuis e enterrou-as na areia, e uns jeans azuis feitos com areia. Tinha uma caneta que escrevia a azul e uma camisola castanha.
Não pensava porque o cansaço do trabalho e dos prazeres não deixavam capacidades para o pensamento. E não sabia o que escrever porque não pensava.
Fumava porque tinha vontade de ocupar a boca. Falar exigia muito esforço do corpo: desde o cérebro encontrar palavras até à ginástica da língua e dos maxilares.
Estava na praia porque precisava do som das ondas e do cheiro. E porque naquele Fevereiro faziam mais de dez graus. A praia era ao pé de Lisboa. Lisboa tinha-se esquecido de que era uma praia, uma praia fluvial. Então tinha de se fugir de Lisboa.
Os cães e as bolas iam circulando à sua volta e ela não queria que se metessem com ela. As bolas porque rolavam muito e eram incontroláveis. Os cães por causa da baba e do ladrar que furava os tímpanos.
Os namorados namoravam de amor verdadeiro e ela não tinha inveja. Parecia-lhe muito bem que isso existisse no mundo. Nem conseguia perceber que não houvesse amor numa praia. Sorria porque as pessoas tinham escolhido a areia em vez das montras do centro comercial.
O vento arrepiava e, embora o sol acariciasse, ela pensava em voltar para a esplanada.
Na esplanada havia sumos e computadores e as pessoas falavam mais baixo do que na areia, quando falavam. A areia era muito mais simpática mas ela não sabia permitir-se um prazer por muito tempo. Arranjava na ideia impaciências de coisas por tratar. Mas não pensava.
Cuscava os namorados que tinham uma relação a três. Ele, ela e a máquina fotográfica. Corriam, saltavam muitas vezes um para cima do outro, riam-se e gritavam. Tinham corpos mais ou menos soltos. O mais solto possível dentro dos corpos que já traziam do mundo da cidade.
Não trabalhar era uma liberdade.
Por que não havia toda a gente de trabalhar só três horas por dia? Acabava o desemprego e a seriedade cinzenta. E quem sabe o que nasceria a mais no mundo depois disso... Ninguém se ia arrepender. Só os poderosos e endinheirados de hoje.
Só ia continuar na areia se lhe desse para fazer a roda ou o pino. Mas não ia fazer.
Também não tinha um ele e uma máquina fotográfica para fixar todos os beijos. Nem uma bola ou um cão.
Quando o vento parava, agarrar na areia às mãos cheias era o maior dos prazeres. Depois o vento voltava, não muito convincente, e ela pensava voltar para a esplanada.
As horas do dia iam correr assim. Iam fugir assim. À noite as paredes e as caras voltavam a ser as mesmas. Talvez ela conseguisse recomeçar a pensar. Desenterrar o azul da areia, durante o beijo mais longo dos três.
Na esplanada as pessoas falavam mais baixo mas estavam mais perto. Também havia hamburgers com queijo e wireless. O vento sentia-se menos do que junto ao mar.
Ela pediu um café e pensou decorar o pires com maionese. Pensava nestas coisas e depois não as fazia.
Já as gaivotas roubavam tangerinas às pessoas e depois roubavam a tangerina umas às outras e toda a gente parava a olhar. E a rir.
Ó senhora gaivota, não me quer vir aqui ao pires, decorá-lo com maionese? Mas com cautela...
De repente as pessoas eram menos e as gaivotas eram mais. Ainda havia avós iguais às netas e muitos sobre rodas. A areia crescia e a luz descia. E ela passado um bocado também se ia embora.
A pensar: aquela família é um prato chinês.
Texto esquecido no café e respigado do lixo duas marginais depois.
Oiço bem a conversa Mas estou na outra ponta da sala Um deles diz que sim que mais também Sempre foi assim e assim há-de ser Talvez isso lhe baste Ela acha que as pessoas querem coisas erradas Fúteis E que só mudando a mentalidade Ai, estas máquinas, tinha de ser a escola... Outra, ao lado dela, nao acredita que as pessoas mudem Mas pensa possível haver progressos Através de leis que proíbam a maldade e defendam A bondade Há ainda dois Um calado parece olhar cínico a televisao Outra estrebuchando aponta para outros lados mas com fracas armas Levantando os braços Para tentar mostar que nao vem tudo de cima Entornando copos Nada de grave Entre risos e rissóis
Solidão Que poeira leve Solidão Olhe a casa é sua O telefo... E no meu descompasso O riso dela Na vida quem perdeu o telhado Em troca recebe as estrelas Pra rimar até se afogar E de SOluço em SOluço esperar O SOl que SObe na cama E acende o lenÇOl SÓ lhe chamando SOlicitando SOlidão Que poeira leve... Se ela nascesse rainha Se o mundo pudesse agüentar Os pobres ela pisaria E os ricos iria humilhar Milhares de guerras faria Pra se deleitar Por isto eu prefiro Chorar sozinho Solidão Que poeira leve Solidão Olhe a casa é sua O telefone tocou, foi engano Solidão Que poeira leve Solidão Olhe a casa é sua E no meu descompasso passo O riso dela
Adormecer nos teus braços
a cheirar-te os poros
a acertar as minhas batidas
com as tuas tão calmas
Poder adormecer segura e simples
com o meu irmão
sem incesto
sem complicação
só estar muito perto
estender o carinho
respirar fundo
dar descanso ao corpo e à cabeça
Respirar-te respirar-me
perder a consciência
perder o peso
sonhar à vontade
dormir
Sem amanhã
gozar o caminho
unir-me
ser nós
este bocadinho.
pouso os braços na mesa cansada de equilibrar a vassoura amanhã na rua se rirão não vão perceber nada mas eu farei de surda e atenta seguirei apenas a música e a batalha todos os dias até que a acção seja irmã do sonho tirem-me os feriados que eu descanso na mesma os braços na mesa e amanhã na rua...
Nascer, o vir à vida, a caminhada A alegria, a tristeza, o desengano É o que sentimos a cada passada De uma a outra etapa, ano após ano
Mal o riso se fecha o peito dói Há choros que esbarram em gargalhar De vez em quando a mágoa que corrói À porta da alegria vem chorar
De contrastes assim tece-se a vida Pesares abrem nalma uma ferida Há risos a fluir até no olhar
E o homem, ora rindo, ora chorando Enquanto vive a vida caminhando Vero palhaço, ri o seu penar.
Gilson Nascimento
*
Acrobata da dor
Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.
Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta ...
Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas daço. . .
E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.
João da Cruz e Sousa
*
Pelos Palcos da Vida
Fantasia de palhaço, sempre termina
Quando a luz do palco pisca
E a cortina de sonhos se abaixa.
Feito máscara derretida
Que confunde minha alma dourada
Com o gosto amargo do dia
E da lágrima que teima em cair.
Pelos palcos, pela vida,
Pelas suas bocas pintadas
Pela dor de um palhaço sem circo
Pelo mistério da mágica
Que sai de mim.
Por todos os palcos do mundo
Encenando a vida de forma errada
Por todos os cantos calados
Que explodiram de bocas fechadas
Ah, você... não saia de mim...
Fique comigo, doce querubim.
Se eu pudesse, lhe daria,
A magia e o sonho em que vivo
A alegria que eu não sabia
Que ainda existe em mim
Ah, eu lhe daria...
A amargura de ser só palhaço
A angústia de circo fechado
Para balanço de uma "doce vida"
A que existe em mim.
Luiza Albuquerque
*
Raimundo (Perfil de um cidadão comum)
Raimundo imundo perfil do mundo (aos olhos de quem se faz surdo) e não ouve do profundo os gritos soturnos de fé.
Raimundo imundo perfil do mundo mundo que se fez muro e dividiu vários mundos.
Mundo, todo mundo te busca; no dia a dia dos vagabundos nos palhaços dos olhos escuros cujo brilho já muito se perdeu.
Somos todos palhaços do mundo e Raimundo é apenas o perfil imundo aos olhos de quem é surdo.
Mário Donizete Massari
*
Poema da Utopia
A noite caiu sem manchas e sem culpa. Os homens largaram as máscaras de bons actores. Findou o espectáculo. Tudo o mais é arrabalde.
No alto, a utópica Lua vela comigo E sonha coalhar de branco as sombras do mundo. Um palhaço, a seu lado, sopra no ventre dos búzios. Noite! Se o espectáculo findou Deixa-nos também dormir.
Fernando Namora
*
O Palhaço
Anda-se a rir, a rir dentro de mim, Com as lívidas faces desbotadas Um estranho palhaço de cetim, Rasgando em dor meu peito às gargalhadas! Sobe aos meus olhos sempre a rir assim - Espreitando as figuras malsinadas Que não se vestem nunca de arlequim, Mas andam pela vida disfarçadas.
Na sombra dos meus cílios, emboscado, Ri, no meu olhar frio e desolado, Escondendo-se atónito e surpreso
E quando desce à triste moradia, Vem mais louco e soberbo de ironia Na irrisão dum sarcástico desprezo!
Voltei a ver o nosso querido Cavaco
a declarar sobre as suas dificuldades
para pagar as suas despesas.
Aquele homem, aquele monstro,
que me aparece à frente desde que nasci, sem eu nunca ter pedido,
com aquela voz,
aquela deficiência na fala
(e de certeza que chegou a ter aulas de dicção entre os anos 80 e os 2010)...
Voltei a vê-lo a falar com os jornalistas,
a dizer coisas que nos chocam,
inventar que é igual a quem não tem dinheiro,
que está na mesma situação
que o moço que agora serve a gasolina em Santa Comba Dão
- ai, enganei-me! - em Boliqueime!
Mas vejamos com atenção
- e tentemos abstrair-nos um pouco
do Rio ao lado que quase não consegue conter o ataque de riso ao ouvir tamanhas mentiras
(ele, o principal aprendiz de mentiras e do descaramento) -
e percebemos
que o Cavaco queria era pôr a tónica sobre isto:
«eu poupei».
Eu poupei, tenho poupanças, vivi como o Salazar me ensinou.
Vocês estão na merda porque não souberam poupar.
Eu e a minha Maria sempre pusemos de lado,
as minhas escrivaninhas são povoadas de porcos mealheiros,
os meus aparadores, os meus psichés,
até a fonte que tenho no jardim lá tem um porco mealheiro sorridente.
Mas quem pode poupar?
Quem pode poupar é porque não anda a contar.
...com 36 anos... Mas não é o aniversário da morte que impressiona a menina pires, nem o facto de ela ter morrido tão nova. O que a impressiona é o modo de cantar da menina elis, sua irmã até na silhueta.
Aqui ela canta uma canção do Milton Nascimento. Nascimento, morte... vem mesmo a propósito, menina.
Para quem quer se soltar invento o cais Invento mais que a solidão me dá Invento lua nova a clarear Invento o amor e sei a dor de me lançar Eu queria ser feliz Invento o mar Invento em mim o sonhador Para quem quer me seguir eu quero mais Tenho o caminho do que sempre quis E um saveiro pronto pra partir Invento o cais E sei a vez de me lançar
No passado dia 7 de Janeiro, houve um cadáver esquisito musical na Zona Franca (Bartô, Lisboa): Os Três da Vida Airada. Dessa noite de música, dança e convívio nasceram vários cadáveres esquisitos. O Ladrões de Gado publicou os cadáveres esquisitos desenhados. A silhueta da menina Pires publica os cadáveres esquisitos escritos:
Magníficos monstros da rocha da matéria da terra por homens feitos construídos com a matemática do andaime a afiar e uma trupe de escravos a aumentar
Os magníficos a quem se fala pede confia
de quem se roubam as vontades a anima os monstros que rugem ou calam os monstros desumanos por nós inventados que só troam que não falam que bebem e comem mas não costuram
O somdos magníficos
monstros
o queixo a cair por dentro por fora nós ali a querer sentir-nos minúsculos e sem poder ser outra coisa minúsculos
Acordo com cinquenta e tantos anos e não percebo o que é que ainda ando para aqui a fazer, para quê. Vivi tanto. Já sei do amor, do ódio, da raiva, da alegria, da injustiça, da organização, da violência, da mentira, da liberdade, da prisão. Descobri aos quinze anos, com ingenuidade e muitos erros, uma arte e um ofício. E a partir daí tantos outros. Porque quando se estuda um papel não estamos sozinhos mas já em diálogo. E para montar a cena é preciso inventar luzes e cenários e depois montá-los, e falar com o ginásio do bairro para pedir cadeiras. E quando tudo está montado é preciso pintar um cartaz e fazer cola e colá-lo. E ainda escrever textos para os outros a quem vamos mostrar tudo, a contar os caminhos por onde passámos e que fazem a exigência de isto ser feito. E mais as falhas, os pormenores, os imprevistos. Lidar com mais gente, saber as diferenças das relações de uns com outros. Berrar muito nas longas reuniões e nos pequenos passos do dia-a-dia e saber que isso não é ódio nem o fim do mundo. Berrar de morte com aqueles com quem dormimos e com quem acordamos. Quando veio o dia da revolução já tínhamos trinta anos e achámos primeiro que já éramos velhos para aquilo, que aquilo já não era para nós nem ia ser feito por nós. Mas afinal de contas éramos nós aquilo. Afinal os processos em curso chamam-nos, pedem-nos tantas coisas e tudo muda tanto que voltamos a vestir t-shirts que nos deixam as primeiras rugas a descoberto e é a isso que chamamos bonito. E voltamos a acampar pelas terras e a conhecer mais do mundo da província, onde falta fazer tanta coisa e as pessoas nos oferecem vinho de bom grado. E fazemos mais coisas que nunca. E continuamos a discutir de morte com quem dormimos e com quem inventamos o que há para fazer. Depois as coisas começam a andar para trás. Muitos querem o descanso e o conforto da vida normal das telenovelas da noite. É grande o ataque da normalidade e o poder de certos ganhos de alguns. Muitos desistem, tudo desiste, o mundo desistiu. E nós que aprendemos tanto, que transformámos e inventámos as maneiras de fazer as nossas coisas e ainda sonhamos com um mundo às avessas e não sabemos bem o que é sonhar nem dormir, continuamos a tentar fazer as nossas coisas mesmo assim. De maneiras que se tornam cada vez mais estranhas e difíceis, num mundo que já não parece passar pelas nossas mãos. De repente já não há tanta gente à volta. E se alguém prega um prego, e tantas vezes continuo a ser eu, o nome desse alguém tem de vir impresso em letras formatadas pela máquina e já não pintadas à mão com o traço torto dos pincéis gastos de andanças, e o papel tem de ser brilhante e já não papel manteiga ou almaço, e deve dizer: “especialista de pregar pregos CL70: nome próprio e apelido”. E se alguém chega para dar uma mãozinha, isso então chama-se “voluntariado”. Chamam-nos loucos a nós que continuamos a discutir nesta altura do campeonato, vermelhos, as palavras usadas pelo escritor X no poema Y, ou o plano inicial do filme tal, ou as teorias de um pensador do princípio do século passado comparadas com as larachas do opinion maker convidado para ir ao telejornal, ou a ideia disparatada ou incrível que alguém deu na reunião de terça-feira, ou a melhor maneira de montar a exposição e de pendurar o projector do canto. Chamam-nos loucos a nós que nem sabemos como começámos a discutir mas que passamos três horas nisso, levando a sério, demasiadamente a sério, toda e qualquer palavra dita por nós ou por um dos outros. Chamam-nos loucos, alcoólicos, utópicos, rezingões, pequeninos. E às vezes quando acordamos pensamos que já não somos deste mundo, que nada do que fazemos interessa, que já não temos forças, que agora sabia bem aprender com os outros que se reviram nas telenovelas da noite, aprender a descansar, a não ligar, a fechar os olhos, a fazer férias de dois meses nas Caraíbas deitados em redes. Vou deixar de pregar pregos, de escrever livros, de encenar espectáculos, de acartar com móveis, de pintar quadros, de editar panfletos, de mandar cartas, de falar com as pessoas do bairro, de cantar, de inventar, de colar cartazes e puxar cordas, de ter ideias para as reuniões. Vou deixar-me dormir, acordar, comer, ler o jornal uma vez por semana, dar beijos na testa daqueles com quem durmo. E passado um mês ou dois vou perceber o que restou: a camisa aos quadrados, a esferográfica preta na mala, as aguardentes depois do almoço e do jantar, os cigarros, a memória das datas e uma úlcera a nascer no estômago.
Soy tu madre, soy tu hija, soy tu amante, soy la chica que limpia tu casa.
Soy la esclava de tu vida, soy la dulce y educada que siempre dice que sí.
Soy aquella a la que buscas cuando tienes un problema y quieres un abrazo.
Soy aquella a l...a que tocas por las noches cuando duerme aunque te diga que no. Turururu tutu tururu tuuu, en el mundo existes tú. Turururu tutu tururu tuuu, ¿dónde quedo yo? soy aquella a la que mientes cuando quieres conservar tus privilegios, soy aquella a la que silvas por la calle, a la que tratas como objeto sin cerebro o corazón. Soy tu amiga y compañera a la que acosas en las fiestas de los centros liberados. Soy aquella que te mira cuando bajas la cabeza si alguien te llama agresor.
Turururu tutu tururu tuuu, en el mundo existes tú. Turururu tutu tururu tuuu, ¿dónde quedo yo?
Soy aquella a la que juzgas por quedar con sus amigas y formar un colectivo, "colectivo de mujeres, ¡Qué carajo, vaya nazis!, ¿porqué no puedo entrar yo?" Como un ente omnipresente crees tener razon en todo y hablas de lo que no sabes, te escudas en tus misterios, tus secretos y tu cuerpo y andas con seguridad.
Turururu tutu tururu tuuu, en el mundo existes tú. Turururu tutu tururu tuuu, ¿dónde quedo yo?
Y se te llena la boca hablando de mis derechos y de feminismo. Te agarras a mi discurso, te lo aprendes, te lo quedas para hablar de tu opresión (pobrecito) Seas hippy, libertario, lleves rastas, lleves cresta o si vives okupando Seas terco o reformista que se cuelga la chapita, tengas un grupo de hombres o seas anarkopunk.
ME DA IGUAAAAAAL! piensa en lo que digo, ME DA IGUAAAAAAAAL! No vayas de listo por la vida por favor...
grevista e amarelo conversam animadamente sobre o sistema um diz que é injusto assim outro diz que é injusto, e é mesmo assim um diz que podemos pegar nisso outro diz que podemos perder o emprego se pegarmos nisso um diz que emprego já estamos a perder outro diz que há muita coisa aí para fazer um tem receio de que não chegue outro tem medo de que seja demais um acha que já vai tarde outro acha que ainda é cedo ambos 99% insatisfeitos com o capitalismo enquanto um terceiro capitaliza a insatisfação - juro o caso é verídico grevista e amarelo distraem-se conversando no café debatendo a greve e nenhum deles trabalha um não atende os clientes outro nem sequer vai fazer o piquete de greve e um pombo come os restos do pão no café