domingo, 27 de novembro de 2011
Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa
Sophia de Mello Breyner Andresen
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa
Sophia de Mello Breyner Andresen
terça-feira, 22 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
grevista e amarelo
grevista e amarelo
conversam animadamente
sobre o sistema
um diz que é injusto assim
outro diz que é injusto, e é mesmo assim
um diz que podemos pegar nisso
outro diz que podemos perder o emprego se pegarmos nisso
um diz que emprego já estamos a perder
outro diz que há muita coisa aí para fazer
um tem receio de que não chegue
outro tem medo de que seja demais
um acha que já vai tarde
outro acha que ainda é cedo
ambos 99% insatisfeitos com o capitalismo
enquanto um terceiro capitaliza a insatisfação
- juro
o caso é verídico
grevista e amarelo
distraem-se conversando no café
debatendo a greve
e nenhum deles trabalha
um não atende os clientes
outro nem sequer vai fazer o piquete de greve
e um pombo come os restos do pão no café
conversam animadamente
sobre o sistema
um diz que é injusto assim
outro diz que é injusto, e é mesmo assim
um diz que podemos pegar nisso
outro diz que podemos perder o emprego se pegarmos nisso
um diz que emprego já estamos a perder
outro diz que há muita coisa aí para fazer
um tem receio de que não chegue
outro tem medo de que seja demais
um acha que já vai tarde
outro acha que ainda é cedo
ambos 99% insatisfeitos com o capitalismo
enquanto um terceiro capitaliza a insatisfação
- juro
o caso é verídico
grevista e amarelo
distraem-se conversando no café
debatendo a greve
e nenhum deles trabalha
um não atende os clientes
outro nem sequer vai fazer o piquete de greve
e um pombo come os restos do pão no café
terça-feira, 8 de novembro de 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
poema para o fragmento de vinte e três desenhos e um fragmento de MD
gostava de saber o título de ver a legenda
uma mulher a jogar futebol é um fragmento
com seu cabelo armado
que afinal ela nasceu foi para agradar ao homem
que afinal ela nasceu foi para estar em casa
para fazer montes de exercício físico mas às escondidas
não em espectáculo
que afinal ela também tem ginástica na escola
e também sabe chutar uma bola
mas o que ela tem é de ter o cabelo penteado
mas também tem o dever de ter um corpo são
mas ai dela que caia ao chão
que afinal ela nasceu foi para ser enfermeira
que afinal ela nasceu foi para ser secretária
que afinal ela nasceu foi para levar a cerveja aos espectadores
gostava de saber se é uma aula
porque finda a escola nunca mais toca numa bola
porque com trinta anos já vive em casa para sempre
porque andamos para aqui para que os homens brilhem
e o trabalho de sapa faz-se às escondidas
e o lixo e as retretes e os curativos e as secas
vão sempre ser feitos pelas bonecas
cem anos depois
uma mulher a jogar futebol é um fragmento
com seu cabelo armado
que afinal ela nasceu foi para agradar ao homem
que afinal ela nasceu foi para estar em casa
para fazer montes de exercício físico mas às escondidas
não em espectáculo
que afinal ela também tem ginástica na escola
e também sabe chutar uma bola
mas o que ela tem é de ter o cabelo penteado
mas também tem o dever de ter um corpo são
mas ai dela que caia ao chão
que afinal ela nasceu foi para ser enfermeira
que afinal ela nasceu foi para ser secretária
que afinal ela nasceu foi para levar a cerveja aos espectadores
gostava de saber se é uma aula
porque finda a escola nunca mais toca numa bola
porque com trinta anos já vive em casa para sempre
porque andamos para aqui para que os homens brilhem
e o trabalho de sapa faz-se às escondidas
e o lixo e as retretes e os curativos e as secas
vão sempre ser feitos pelas bonecas
cem anos depois
poema para o desenho vinte e três de vinte e três desenhos e um fragmento de MD
alentejano o nariz de vinho vermelho
o vinho vermelho no nariz do alentejano
o barrete de ribatejano no alentejano
o capote alentejano no do barrete ribatejano
o cajado e o capote e o nariz vermelho
a gravata e as botas e os olhos pegados
tortos a ver só o vinho à frente
sem profundidade nem perspectiva
que as pessoas do campo e do alentejo
são tristes de vinho e têm pouco pra pensar
só na morte da bezerra branca de ontem
e nada de cooperativas que eu ainda sou miúdo
e ainda vivemos na ditadura e o povinho
ainda é alentejano de nariz de vinho
com barrete de ribatejano eh toiro
lá nos campos as pessoas são todas assim
o vinho vermelho no nariz do alentejano
o barrete de ribatejano no alentejano
o capote alentejano no do barrete ribatejano
o cajado e o capote e o nariz vermelho
a gravata e as botas e os olhos pegados
tortos a ver só o vinho à frente
sem profundidade nem perspectiva
que as pessoas do campo e do alentejo
são tristes de vinho e têm pouco pra pensar
só na morte da bezerra branca de ontem
e nada de cooperativas que eu ainda sou miúdo
e ainda vivemos na ditadura e o povinho
ainda é alentejano de nariz de vinho
com barrete de ribatejano eh toiro
lá nos campos as pessoas são todas assim
poema para o desenho vinte e dois de vinte e três desenhos e um fragmento de MD
eu sei muito bem como são os holandeses
são uns senhores de socas que fumam cachimbo
enquanto tratam da terra com um ancinho
no livro do meu tio
os holandeses têm calças às riscas e gorros na cabeça
por causa do frio
são uns senhores de socas que fumam cachimbo
enquanto tratam da terra com um ancinho
no livro do meu tio
os holandeses têm calças às riscas e gorros na cabeça
por causa do frio
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
dois de novembro

a minha não faz sentido
será que dormindo
mais claro
menos clara
menos cara menos coração
mais ar só ar e árvores faz
isso sentido?
sem coração sem intenção sem criação sem
as forças das raízes dos pés a esticarem-se para a boca
a atirar pedras sílicas sílex pederneiras
cabeças de lanças da nuvem da certeza
à la deus-dará
o inverno era a rua ser de sintra fria e poças de reflexos turvos
o vento guilhotinava
a garganta congelada
a ganhar espaço para as moléculas incharem
a dificuldade
será que dormindo
mais claro
menos clara
menos cara menos coração
mais ar só ar e árvores faz
isso sentido?
sem coração sem intenção sem criação sem
as forças das raízes dos pés a esticarem-se para a boca
a atirar pedras sílicas sílex pederneiras
cabeças de lanças da nuvem da certeza
à la deus-dará
o inverno era a rua ser de sintra fria e poças de reflexos turvos
o vento guilhotinava
a garganta congelada
a ganhar espaço para as moléculas incharem
a dificuldade
Poema Antigo
dorsal magenta
pesadas e de ferro maceram os ligamentos
já não se vê a ponta do fio
o novelo que seguro é do tamanho do mundo
esconde o olho a alface...
há incríveis sensações
romperam-me os pés
línguas de camaleão
sempre nunca mais deito
continuas a rir-te de costas para o outro lado
aceso como pinheiros
faço que sei que sossego
a caluda
houve gotas roxas na cascata da cozinha
vai ela a passar outra vez
ódio, nojo, demónio
cuspo, raiva, aspirador
sola do sapato contigo
o azul lá lá lá continua
seca o que salga água tépida
às escuras mastros cinzentos e farol preto
mas uma vez um dia amanhã
secura dos lábios-chumbo
porcas soltas cabeça cheia
ainda a ranger
com veneno, com cicuta, com x-acto
e pelo beiço
antes e depois já não são tempos
os risquinhos do traço impossíveis ganharam
nuvem
domingo, 30 de outubro de 2011
sábado, 29 de outubro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
canaille
You are the one
For me for me for me
Formidable
You are my love
Very very very
Véritable
Et je voudrais pouvoir un jour
Enfin te le dire
Te l'écrire
Dans la langue de Shakespeare
My daisy daisy daisy
Désirable
Je suis malheureux
D'avoir si peu de mots à
T'offrir en cadeau
Darling I
Love you love you
Darling I want you
Et puis c'est à peu près tout
You are the one
For me for me for me
Formidable
You are the one
For me for me for me
Formidable
But how can you
See me see me see me
Si minable
Je ferais mieux d'aller choisir
Mon vocabulaire
Pour te plaire
Dans la langue de Molière
Toi
Tes eyes ton nose tes lips adorables
Tu n'as pas compris
Tant pis
Ne t'en fais pas
Et viens t'en dans mes bras
Darling I
Love you love you
Darling I want you
Et puis le reste on s'en fout
You are the one
For me for me for me
Formidable
Je me demande même pourquoi je t'aime
Toi qui te moques de moi et de tout
Avec ton air canaille canaille canaille
How can I love you
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Quero morrer
Quero voar
- mas saem da lama
garras de chão
que me prendem os tornozelos.
Quero morrer
- mas descem das nuvens
braços de angústia
que me seguram pelos cabelos.
E assim suspenso
no clamor da tempestade
como um saco de problemas
- tapo os olhos com as lágrimas
para não ver as algemas...
(Mas qualquer balançar ao vento
me parece liberdade.)
José Gomes Ferreira
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
sangue do nariz da orelha das unhas dos lábios
sangue do nariz da orelha das unhas dos lábios
sangue dos dentes
úlceras ignotas
o trabalho imparável torturoso forçado
das plaquetas
a dor, o rasgo, os cortes, as feridas
os mucos do ataque e da defesa
o ardor a lambidela o alívio a vergonha a introversão
querer meter-se o corpo do avesso
e dormir dois meses
no casulo
a criar carapaça
sangue dos dentes
úlceras ignotas
o trabalho imparável torturoso forçado
das plaquetas
a dor, o rasgo, os cortes, as feridas
os mucos do ataque e da defesa
o ardor a lambidela o alívio a vergonha a introversão
querer meter-se o corpo do avesso
e dormir dois meses
no casulo
a criar carapaça
domingo, 16 de outubro de 2011
Já não dá
«dedicado a tod@s @s indignados que subiram ontem as escadarias de são bento e disseram basta de canibalismo social (capitalismo+racismo+machismo+mais outros ismos). não pagamos!»
Chullage (via facebook)
já não dá (saímos para a rua) by beatweenus
Chullage (via facebook)
já não dá (saímos para a rua) by beatweenus
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
no foyer
no foyer
homem gillette, bronzeado marlboro
fato claro camisa azul
mostra ao jardim
o que é esta sociedade
pose cínica pés de barro
medo perfumado
cada um por si
como diz ali no outdoor
enquanto se fingem civilizações
e se treinam composturas
abrindo bárbaras narinas
arrogando o olhar
julgando que sucesso é lugar
julgando que champô é pensar
julgando que tempo é dinheiro
cinismo vomitando o dia inteiro
homem gillette, bronzeado marlboro
fato claro camisa azul
mostra ao jardim
o que é esta sociedade
pose cínica pés de barro
medo perfumado
cada um por si
como diz ali no outdoor
enquanto se fingem civilizações
e se treinam composturas
abrindo bárbaras narinas
arrogando o olhar
julgando que sucesso é lugar
julgando que champô é pensar
julgando que tempo é dinheiro
cinismo vomitando o dia inteiro
terça-feira, 11 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
quando
quando os pássaros voltarem a ser livres
e os sonhos forem mãos a desenhar
as gaiolas deixarão de ter sentido
saberás o que água quer dizer
a mudança há-de ser imperceptível
para aqueles que só gostam de morrer
mas as coisas já não servem para o jugo
as bocas vão ter fome de outro dia
e os sonhos forem mãos a desenhar
as gaiolas deixarão de ter sentido
saberás o que água quer dizer
a mudança há-de ser imperceptível
para aqueles que só gostam de morrer
mas as coisas já não servem para o jugo
as bocas vão ter fome de outro dia
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Ofereço a letra

L'avion rose
Fechado aberto o pulmão de CORAÇÃO
O MEU CORAÇÃO DE PULMÃO
A SANGUE FRIO A RESPIRAR EM LATA
FECHADO ABERTO AS PESTANAS
RESPIRAR
O ALÍVIO DA NOITE EM CIMA
EM SEXTO ANDAR
EM DUAS EM DUAS E OITO
Fechar abrir os olhos o programa a resposta
mudar o erro emendá-lo nunca possível
As peças de vidro e líquido já se sabiam buscar sozinhas
sobe-se ao banco não se pede à mãe
sem amigo de sorriso
sem a rede da corda de corda sem coração
Os carros em baixo a mais de mil e duzentos
como ondas do mar da natureza da sintra longinquíssima
mistiquíssima demais
A fala
a que cala
a que despe a pala
e nua se mostra se abre a prometer mel
em fúria
sem rasgo de sinal para onde possa ir
quem querer o mel
sinais soltos num papel de gordura
As casas criadas com tanta segurança
o nojo do ódio do rico da pança
e aquela máscara de ódio
O medo
Fugia-se do medo sempre a sete patas
quando a noite estreitava assim as cinturas
e dilatava as ideias
deformando
e aconchegava com vidro com pulmão
decoração
azeite por cima sempre a gritar ao óleo
eu é que sou!
Os travões amigos aconchego com guinadas
o mar dos carros
o sopro do vento que hoje não se ouvia
mas que fazia parte das janelas
E a tua voz a desculpar o outro a admirá-lo a sê-lo também tão bem
e eu a saber que então também te tenho asco porque és assim
porque são iguais:
o amor o amante o pai o filho que nunca quero ter porque mais é demais
Lesbos era uma ilha que se delineava ao longe e acenava alguém de lá
e sempre a nossa jangada a via ao longe
e sempre levada seria pela mesma corrente da saga raga
E as palavras queria que alguém as pegasse
e saberia desde início que eram impegáveis
as palavras as palavras
com que queria gritar-te a vida a tua a minha a dos que cá bebem
em suas caixinhas
e afinal nada sabia eu disso tudo e não queria saber
queria só cantá-las
e não arranhava uma corda de nenhum instrumento de sopro
rasgar grunhos antigos restava bastava assava
mas não saía paria azevia
acenar e gritar esgarçar ruliminar
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
poema para o desenho vinte e um de vinte e três desenhos e um fragmento de MD
O paquete Nyassa tinha a âncora agarrada ao casco
e o casco de ferro como convém aos piquetes que não levam a paz
Era grande de chaminés e apitos fumegantes
e esburacado de furos para os canos de fogo
Os arames e os cabos sem velas
a casota blindada e pessoas nem vê-las
Só tem pátria o piquete paquete Nyassa
só tem mar à volta e uma lanterna vermelha
O paquete imponente como se aguenta na água?
Não afunda não afunda nem na maré vaza
Será que não afunda? tem retorno torna a casa?
e o casco de ferro como convém aos piquetes que não levam a paz
Era grande de chaminés e apitos fumegantes
e esburacado de furos para os canos de fogo
Os arames e os cabos sem velas
a casota blindada e pessoas nem vê-las
Só tem pátria o piquete paquete Nyassa
só tem mar à volta e uma lanterna vermelha
O paquete imponente como se aguenta na água?
Não afunda não afunda nem na maré vaza
Será que não afunda? tem retorno torna a casa?
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
como descer aos infernos provando que a vida não está escrita

os dois a cair por uma ribanceira a cair a cair sem rede
sem ser bom
e depois no fim chegámos mesmo lá abaixo
e lá em baixo descobriste que havia uma escada por onde tudo seria mais fácil
uma escada
com degraus com estrutura com construção
feita pelo Homem
"nos sonhos é-se vivo não se morre
aliás essa é a única vantagem"
cá na vida já nos estatelámos
terça-feira, 13 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
outros olhos
eu acho que o amor move montanhas, faz girar o mundo
o ideal, mas sobretudo o correspondido
que se traduz depois nas coisas práticas
em tudo
e não vejo coisa mais interessante no mundo que as relações entre pessoas
não fosse isso e nada disto tinha interesse
nada disto me dava para pensar
ou para divagar, ou para fazer canções e escrever poemas
e conversar e beber copos e dançar
se não fosse isso
das relações entre as pessoas
do amor e do ódio
das aproximações e afastamentos
dos pactos de relação, românticos ou empresariais
desvendar isso, experimentar isso, arriscar, descobrir a forma mais livre, saber as formas mais opressivas ou emaranhadas
ver os outros, pensar os outros, pensar em nós, pensar nós com os outros que já têm relações uns com os outros
tentar mudar isso, mudar o mundo, fazer a luta juntos
("não se pode ser feliz sozinho")
se não fosse isso éramos antílopes ruminantes no cimento e no silêncio
mas não somos
estamos cá para mudar isso
estamos cá porque não somos isso
nunca fomos isso
se vemos isso noutras pessoas ao lado
é porque temos de mudar o mundo
as relações como andam a ser feitas
os casamentos mudos
as rotinas
as relações desiguais autoritárias hierárquicas sufocantes
repetidas desinteressantes não produtivas
tudo o que a nossa nunca foi
a nossa que interrogou tanto isso o tempo todo
a nossa que criou novos objectos
novas relações novos caminhos novas ideias
a nossa que juntou pessoas que mudou outras pessoas
que mudou formas de fazer as coisas à nossa volta
a nossa é que mudava o mundo
o ideal, mas sobretudo o correspondido
que se traduz depois nas coisas práticas
em tudo
e não vejo coisa mais interessante no mundo que as relações entre pessoas
não fosse isso e nada disto tinha interesse
nada disto me dava para pensar
ou para divagar, ou para fazer canções e escrever poemas
e conversar e beber copos e dançar
se não fosse isso
das relações entre as pessoas
do amor e do ódio
das aproximações e afastamentos
dos pactos de relação, românticos ou empresariais
desvendar isso, experimentar isso, arriscar, descobrir a forma mais livre, saber as formas mais opressivas ou emaranhadas
ver os outros, pensar os outros, pensar em nós, pensar nós com os outros que já têm relações uns com os outros
tentar mudar isso, mudar o mundo, fazer a luta juntos
("não se pode ser feliz sozinho")
se não fosse isso éramos antílopes ruminantes no cimento e no silêncio
mas não somos
estamos cá para mudar isso
estamos cá porque não somos isso
nunca fomos isso
se vemos isso noutras pessoas ao lado
é porque temos de mudar o mundo
as relações como andam a ser feitas
os casamentos mudos
as rotinas
as relações desiguais autoritárias hierárquicas sufocantes
repetidas desinteressantes não produtivas
tudo o que a nossa nunca foi
a nossa que interrogou tanto isso o tempo todo
a nossa que criou novos objectos
novas relações novos caminhos novas ideias
a nossa que juntou pessoas que mudou outras pessoas
que mudou formas de fazer as coisas à nossa volta
a nossa é que mudava o mundo
smother love
Crass - Smother Love, from Penis Envy.
Smother Love.
The true romance is the ideal repression, that you seek,
That you dream of, that you look for in the streets,
That you find in the magazines, the cinema, the glossy shops,
And the music spins you round and round looking for the props.
The silken robe, the perfect little ring,
Will gives you the illusion when it doesn't mean a thing,
Step outside into the street and staring from the wall
Is perfection of the happiness that makes you feel so small.
Romance, can you dance? D'you fit the right description?
Do you love me? Do you love me? Do you want me for your own?
Do you love me? Say you need me, say you know that I'm the one,
Tell me I'm your everything, let us build a home.
We can build a house for us, with little ones fellow,
The proof of our normality that justifies tomorrow.
Romance, romance. Do you love me? Say you do,
We can leave the world behind and make it just for two.
Love don't make the world go round, it holds it right in place,
Keeps us thinking love's too pure to see another face.
Love's another skin-trap, another social weapon,
Another way to make men slaves and women at their beckon.
Love's another sterile gift, another shit condition,
That keeps us seeing just the one and others not existing.
Woman is a holy myth, a gift of mans expression,
She's sweet, defenceless, golden-eyed, a gift of gods repression.
If we didn't have these codes for love, of tokens and positions,
We'd find ourselves as lovers still, not tokens of possessions.
It's a natural, it's a romance, without the power and greed,
We can fight to lift the cover if you want to sow and seed.
Do you love me? Do you? Do you? Don't you see they aim to smother
The actual possibilities of seeing all the others?
Do you love me? Do you? Do you? Don't you see they aim to smother
The actual possibilities of seeing all the others?
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Corte de cabelo e pratos partidos
Foi vista nas salas do youtube a silhueta da menina pires, que - enquanto roubava e passava material - ameaçou cortar a cabeça mas resolveu apenas cortar o cabelo. A fraca.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
só o que se espera ardentemente nos chama
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Á cido
doi-me tudo
não tenho ossos que não doam
sons que não doam palavras que não doam
não tenho pele que não doa de dormência
não tenho sono que durma à noite de dia
doi-me a vida doi-me os pés cheiram a dor
doi-me a cansaço
os pés doem-me a dormecer
lateja-me o estômago o peito
cansam-me os olhos
os sons apitam-me as caras fujo-as
falta-me o ar
cinto a cinza da nuvem carregada
a massa das nuvens maciças
opacas
o ar insuflado opressor máquina de medir a tensão
aparelho de encher colchão
saga sina açaime acena encena para sempre
encena a sempre a perna as costas
não vivo
vivem-me uns parasitas de agarrar peles e energias e gestos
violáceas vivas víboras esventram varrem
com vassouras duras
escovas de ferro
vergo-me de vómito
extinguir-me difícil tanto moroso lânguido cruel
isto não esvazia
não tenho ossos que não doam
sons que não doam palavras que não doam
não tenho pele que não doa de dormência
não tenho sono que durma à noite de dia
doi-me a vida doi-me os pés cheiram a dor
doi-me a cansaço
os pés doem-me a dormecer
lateja-me o estômago o peito
cansam-me os olhos
os sons apitam-me as caras fujo-as
falta-me o ar
cinto a cinza da nuvem carregada
a massa das nuvens maciças
opacas
o ar insuflado opressor máquina de medir a tensão
aparelho de encher colchão
saga sina açaime acena encena para sempre
encena a sempre a perna as costas
não vivo
vivem-me uns parasitas de agarrar peles e energias e gestos
violáceas vivas víboras esventram varrem
com vassouras duras
escovas de ferro
vergo-me de vómito
extinguir-me difícil tanto moroso lânguido cruel
isto não esvazia
terça-feira, 23 de agosto de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
sem título
Durássemos nós infinitamente
e tudo se transformaria
mas como somos finitos
fica muito do velho
(Bertolt Brecht)
e tudo se transformaria
mas como somos finitos
fica muito do velho
(Bertolt Brecht)
sábado, 13 de agosto de 2011
Usos da CIDADE de Augusto de Campos (1963)
atrocaducapacaustiduplielastifeliferofugahistoriloqualubrimendimultipliorganiperiodiplastipublirapareciproustisagasimplitenaveloveravivaunivora
cidade
city
cité
cidade
city
cité
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
já houve uns que decidiram fazer juntos a sua luta neste mundo torpe, chamavam-se "companheiros"
1
Quando nasci
- de pouco valeu estarem os campos cheios de flores -
uma garra disforme
deixou-me a sua marca negra até ao sangue.
Sorriu o pai e a mãe
do destino do menino venturoso.
Eu próprio ri de segurança e de vitória.
Mas a cada minuto, a cada passo,
a segurança e a vitória foram sendo mentira.
(Basta eu chegar para que tudo se perturbe.
Aliás nem ninguém nem nada se perturba:
só eu sou sempre afinal o perturbado.)
Mas não desisto.
Insisto.
Procuro chegar, entrar.
Procuro, como um faminto de sacola na mão,
essa alegria de toda aquela gente,
que diz sem sobressaltos: aqui estou.
Mas isso sim. Basta eu chegar:
lá vem o grito fatal de: cão danado!
É escusado teimar.
Todas as portas me estarão fechadas,
deixando escorrer um fio de luz
ou um fio de palavras...
E não desisto.
Insisto.
Mas se a mão negra me marcou para sempre,
a que vem este desejo inferior
de lá chegar?
2
Olha: tu que me és única,
mais valia nunca teres poisado o teu olhar
nas minhas mãos,
nos meus cabelos
e nos meus olhos agora e para sempre cheios de ti.
Ter-te-ia sido preferível afinal.
Assim só eu corria pelas ruas
apedrejado às esquinas
como sucede sempre a um bom cão danado.
Não sofrias,
não choravas,
não te martirizavas tanto em cada hora.
Assim, enrodilhada sem querer no meu fracasso,
perdeste talvez aquilo que não volta a repetir-se.
Mais te valia nunca me encontrares,
a mim, o sempre trôpego em todas as passadas,
coberto de miséria, de grotesco,
ridículo!
3
Eis-nos boiando, aflitos,
só as narinas e os braços fora de água,
prestes a sucumbir.
E a terra tam perto cheia de gente alegre...
Um gente endinheirada e bruta,
pisando todas as flores.
Já nem sabemos se as lágrimas
serão gotas do mar que nos envolve,
se é o mar a água das nossas próprias lágrimas.
E a terra tam perto,
cheia daquela gente endinheirada e bruta,
pisando todas as flores...
E nós para aqui boiando,
escorraçados afinal da própria casa,
como quem não paga a renda.
Ah que é como um país nosso invadido por estrangeiros!
E, narinas abertas numa ânsia de vida,
miseráveis, covardes,
sem a coragem de nos deixarmos sucumbir,
cair prò fundo, acabar!
4
Deixa lá, companheira!
Que havemos de fazer?
Fecharam-nos a porta e quase nos cuspiram.
Pisaram-te e, a mim, vergastaram-me as mãos.
Deixa lá! Deixa lá! Eu beijarei teus pés
e tu farás sarar as minhas mãos.
Para lá da última casa ainda há terra
e céu e água e luz...
Ainda há vida para lá.
Deixemos para eles o som vazio das gargalhadas
e a luxúria do oiro.
Ainda há vida para lá.
O nosso horizonte é mais vasto em cada instante.
A nossa voz mais rica em cada instante.
O nosso querer mais certo em cada instante.
Ainda há vida para lá.
Sigamos nossa rota, companheira.
Enxugarei teu rosto com cuidado.
Tu farás o meu canto.
E para além das barreiras do tempo
milhões de homens nos esperam com os braços abertos,
que desde a primeira hora serão braços de irmãos.
Mário Dionísio
Quando nasci
- de pouco valeu estarem os campos cheios de flores -
uma garra disforme
deixou-me a sua marca negra até ao sangue.
Sorriu o pai e a mãe
do destino do menino venturoso.
Eu próprio ri de segurança e de vitória.
Mas a cada minuto, a cada passo,
a segurança e a vitória foram sendo mentira.
(Basta eu chegar para que tudo se perturbe.
Aliás nem ninguém nem nada se perturba:
só eu sou sempre afinal o perturbado.)
Mas não desisto.
Insisto.
Procuro chegar, entrar.
Procuro, como um faminto de sacola na mão,
essa alegria de toda aquela gente,
que diz sem sobressaltos: aqui estou.
Mas isso sim. Basta eu chegar:
lá vem o grito fatal de: cão danado!
É escusado teimar.
Todas as portas me estarão fechadas,
deixando escorrer um fio de luz
ou um fio de palavras...
E não desisto.
Insisto.
Mas se a mão negra me marcou para sempre,
a que vem este desejo inferior
de lá chegar?
2
Olha: tu que me és única,
mais valia nunca teres poisado o teu olhar
nas minhas mãos,
nos meus cabelos
e nos meus olhos agora e para sempre cheios de ti.
Ter-te-ia sido preferível afinal.
Assim só eu corria pelas ruas
apedrejado às esquinas
como sucede sempre a um bom cão danado.
Não sofrias,
não choravas,
não te martirizavas tanto em cada hora.
Assim, enrodilhada sem querer no meu fracasso,
perdeste talvez aquilo que não volta a repetir-se.
Mais te valia nunca me encontrares,
a mim, o sempre trôpego em todas as passadas,
coberto de miséria, de grotesco,
ridículo!
3
Eis-nos boiando, aflitos,
só as narinas e os braços fora de água,
prestes a sucumbir.
E a terra tam perto cheia de gente alegre...
Um gente endinheirada e bruta,
pisando todas as flores.
Já nem sabemos se as lágrimas
serão gotas do mar que nos envolve,
se é o mar a água das nossas próprias lágrimas.
E a terra tam perto,
cheia daquela gente endinheirada e bruta,
pisando todas as flores...
E nós para aqui boiando,
escorraçados afinal da própria casa,
como quem não paga a renda.
Ah que é como um país nosso invadido por estrangeiros!
E, narinas abertas numa ânsia de vida,
miseráveis, covardes,
sem a coragem de nos deixarmos sucumbir,
cair prò fundo, acabar!
4
Deixa lá, companheira!
Que havemos de fazer?
Fecharam-nos a porta e quase nos cuspiram.
Pisaram-te e, a mim, vergastaram-me as mãos.
Deixa lá! Deixa lá! Eu beijarei teus pés
e tu farás sarar as minhas mãos.
Para lá da última casa ainda há terra
e céu e água e luz...
Ainda há vida para lá.
Deixemos para eles o som vazio das gargalhadas
e a luxúria do oiro.
Ainda há vida para lá.
O nosso horizonte é mais vasto em cada instante.
A nossa voz mais rica em cada instante.
O nosso querer mais certo em cada instante.
Ainda há vida para lá.
Sigamos nossa rota, companheira.
Enxugarei teu rosto com cuidado.
Tu farás o meu canto.
E para além das barreiras do tempo
milhões de homens nos esperam com os braços abertos,
que desde a primeira hora serão braços de irmãos.
Mário Dionísio
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Visa pour les beaux jours
Visa pour les beaux jours
Céline Dion
Composição : Paroles: Eddy Marnay. Musique: C. Loigerot, T. Geoffroy "Tellement j'ai d'amour"
Le feux vert avale un feu rouge
Mon moteur est plus fou que moi
Aujourd'hui je prends l'autoroute
Qui me mène à n'importe quoi
Je me sens libre Je me sens libre
Direction: aucune importance
Pile ou face le sud ou le nord
J'ai déjà une roue en France
L'autre roue qui roule dehors
Je me sens libreJe me sens libre
Ouvrez tous les chemins de la terre
Ouvrez tous les verrous des frontières
Moi j'ai mon visa pour les beaux jours
J'ai mon passeport couleur de l'amour
Libre
Libre
J'ai envie de tout ce qui danse
J'ai envie de tout ce qui brille
Si je tombe en panne d'essence
Je vivrai de mon énergie
Je me sens libreJe me sens libre
Venez tous les garçons et les filles
Venez nous chanterons en famille
Moi j'ai mon visa pour les beaux jours
J'ai mon passeport couleur de l'amour
Je me sens libre comme une bulle de champagne
Libre d'escalader les montagnes
Moi j'ai mon visa pour les folies
J'ai mon passeport couleur de la vie
Je me sens libre comme une fusée spatiale
Libre de dévorer des étoiles
Moi j'ai mon visa pour les beaux jours
J'ai mon passeport couleur de l'amour
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
tudo em aberto
Já viajámos de ilhas em ilhas
já mordemos fruta ao relento
repartindo esperanças e mágoas
por tudo o que é vento
Já ansiámos corpos ausentes
como um rio anseia p´la foz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?
Que há-de ser do mais longo beijo
que nos fez trocar de morada
dissipar-se-á como tudo em nada?
Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós
Já avivámos brasas molhadas
no caudal da lágrima vã
e flutuando, a lua nos trouxe
à luz da manhã
Reencontrámos lágrimas e riso
demos tempo ao tempo veloz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós
Que há-de ser da mais longa carta
que se abriu, peito alvoroçado
devolver-se-á: «endereço errado?»
Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós
Já enchemos praças e ruas
já invocámos dias mais justos
e as estátuas foram de carne
e de vidro os bustos
Já cantámos tantos presságios
pondo o fogo e a chuva na voz
já fizemos tanto e tão pouco
que há-de ser de nós?
Que há-de ser da longa batalha
que nos fez partir à aventura?
que será, que foi
quanto é, quanto dura?
Que há-de ser, só nós o sabemos
pondo o fogo e a chuva na voz
repartindo ao vento pedaços
que hão-de ser de nós
terça-feira, 9 de agosto de 2011
dos Mler ife Dada, mas podia ser doutros
Na pandra bomba ainda jinga a hidra samba
Conga tom-tom bambu, num mundo pandra
Na sala zomba o quadro do canto
E a pedra bomba rebenta num espanto
Na pandra bomba ainda joga a vida bamba
Pandra de pau, tabu, magia zanga
No quarto grita o rádio do canto
E a pedra bomba rebenta num espanto
Zig zig zebra zeze e pó daqui
Espiral em arco-íris só para mim
Na sombra branca ainda brinca a pandra bomba
Sangra surucucu jingando a ganga
Na rua canta a estátua dum santo
E a pedra bomba rebenta num espanto.
Zig zig zebra zeze e pó daqui
Espiral em arco-íris só para mim
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Chanson du Geôlier, de Jacques Prévert
CHANSON DU GEÔLIER
Où vas-tu beau geôlier
Avec cette clé tachée de sang
Je vais délivrer celle que j'aime
S'il en est encore temps
Et que j'ai enfermée
Tendrement cruellement
Au plus secret de mon désir
Au plus profond de mon tourment
Dans les mensonges de l'avenir
Dans les bêtises des serments
Je veux la délivrer
Je veux qu'elle soit libre
Et même de m'oublier
Et même de s'en aller
Et même de revenir
Et encore de m'aimer
Ou d'en aimer un autre
Si un autre lui plaît
Et si je reste seul
Et elle en allée
Je garderai seulement
Je garderai toujours
Dans mes deux mains en creux
Jusqu'à la fin des jours
La douceur de ses seins modelés par l'amour.
Où vas-tu beau geôlier
Avec cette clé tachée de sang
Je vais délivrer celle que j'aime
S'il en est encore temps
Et que j'ai enfermée
Tendrement cruellement
Au plus secret de mon désir
Au plus profond de mon tourment
Dans les mensonges de l'avenir
Dans les bêtises des serments
Je veux la délivrer
Je veux qu'elle soit libre
Et même de m'oublier
Et même de s'en aller
Et même de revenir
Et encore de m'aimer
Ou d'en aimer un autre
Si un autre lui plaît
Et si je reste seul
Et elle en allée
Je garderai seulement
Je garderai toujours
Dans mes deux mains en creux
Jusqu'à la fin des jours
La douceur de ses seins modelés par l'amour.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Julho
As paredes têm olhos
as árvores têm olhos
as pedras da calçada
as luzes
os sons têm olhos
os écrãs têm imans
o peito tem quebras
a garganta tem pedras
os amigos têm bombas
As rugas das paredes têm beijos
as folhas das árvores têm beijos
a cair nas pedras da calçada
os raios das luzes
certos sons têm beijos
As sirenes têm medo
as gargalhadas têm medo
os zumbidos
os joelhos
as malas têm medo
O corpo prende
o ritmo estrangula
a cabeça ameaça
a palavra corta a garganta
o orgulho passa
as árvores têm olhos
as pedras da calçada
as luzes
os sons têm olhos
os écrãs têm imans
o peito tem quebras
a garganta tem pedras
os amigos têm bombas
As rugas das paredes têm beijos
as folhas das árvores têm beijos
a cair nas pedras da calçada
os raios das luzes
certos sons têm beijos
As sirenes têm medo
as gargalhadas têm medo
os zumbidos
os joelhos
as malas têm medo
O corpo prende
o ritmo estrangula
a cabeça ameaça
a palavra corta a garganta
o orgulho passa
quarta-feira, 13 de julho de 2011
poema para o desenho vinte de vinte e três desenhos e um fragmento de MD
Sabe-se lá o que faz ele
Na guerra
lá na guerra que tanto engrandece
os homens homens
E para além dos postais que manda
ou que não manda
o que faz ele na guerra?
Na guerra espaço
na guerra tempo
na guerra situação
na guerra fábrica
na guerra longe
E ela que fica
com os pratos e os filhos e as tapeçarias
ao piano
a fazer vida
- isso é de somenos importância
Em todo o caso
está no coração
Ao longe
Na guerra
lá na guerra que tanto engrandece
os homens homens
E para além dos postais que manda
ou que não manda
o que faz ele na guerra?
Na guerra espaço
na guerra tempo
na guerra situação
na guerra fábrica
na guerra longe
E ela que fica
com os pratos e os filhos e as tapeçarias
ao piano
a fazer vida
- isso é de somenos importância
Em todo o caso
está no coração
Ao longe
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Arquivo do blogue
-
▼
2019
(6)
- ▼ Dezembro 2019 (2)
- ► Outubro 2019 (4)
-
►
2018
(6)
- ► Novembro 2018 (1)
- ► Março 2018 (1)
-
►
2017
(22)
- ► Novembro 2017 (2)
- ► Setembro 2017 (1)
- ► Agosto 2017 (1)
- ► Julho 2017 (3)
- ► Junho 2017 (2)
- ► Abril 2017 (4)
- ► Fevereiro 2017 (1)
- ► Janeiro 2017 (3)
-
►
2016
(20)
- ► Dezembro 2016 (1)
- ► Setembro 2016 (7)
- ► Agosto 2016 (1)
- ► Julho 2016 (3)
- ► Junho 2016 (5)
-
►
2015
(32)
- ► Dezembro 2015 (1)
- ► Novembro 2015 (2)
- ► Setembro 2015 (3)
- ► Agosto 2015 (4)
- ► Julho 2015 (3)
- ► Junho 2015 (1)
- ► Abril 2015 (4)
- ► Março 2015 (5)
- ► Fevereiro 2015 (1)
- ► Janeiro 2015 (2)
-
►
2014
(53)
- ► Novembro 2014 (7)
- ► Outubro 2014 (1)
- ► Setembro 2014 (6)
- ► Agosto 2014 (4)
- ► Julho 2014 (9)
- ► Junho 2014 (1)
- ► Abril 2014 (6)
- ► Março 2014 (4)
- ► Fevereiro 2014 (7)
- ► Janeiro 2014 (4)
-
►
2013
(55)
- ► Dezembro 2013 (2)
- ► Novembro 2013 (4)
- ► Outubro 2013 (2)
- ► Setembro 2013 (9)
- ► Agosto 2013 (4)
- ► Julho 2013 (2)
- ► Junho 2013 (7)
- ► Abril 2013 (6)
- ► Março 2013 (3)
- ► Fevereiro 2013 (5)
- ► Janeiro 2013 (2)
-
►
2012
(100)
- ► Dezembro 2012 (1)
- ► Novembro 2012 (4)
- ► Outubro 2012 (3)
- ► Setembro 2012 (4)
- ► Agosto 2012 (14)
- ► Julho 2012 (8)
- ► Junho 2012 (6)
- ► Abril 2012 (7)
- ► Março 2012 (14)
- ► Fevereiro 2012 (11)
- ► Janeiro 2012 (17)
-
►
2011
(85)
- ► Dezembro 2011 (11)
- ► Novembro 2011 (15)
- ► Outubro 2011 (9)
- ► Setembro 2011 (11)
- ► Agosto 2011 (13)
- ► Julho 2011 (3)
- ► Junho 2011 (1)
- ► Abril 2011 (4)
- ► Março 2011 (3)
- ► Fevereiro 2011 (2)
- ► Janeiro 2011 (7)
-
►
2010
(60)
- ► Dezembro 2010 (4)
- ► Novembro 2010 (7)
- ► Outubro 2010 (3)
- ► Setembro 2010 (5)
- ► Agosto 2010 (8)
- ► Julho 2010 (7)
- ► Junho 2010 (11)
- ► Abril 2010 (2)
- ► Março 2010 (5)
- ► Fevereiro 2010 (5)
- ► Janeiro 2010 (1)
-
►
2009
(83)
- ► Dezembro 2009 (11)
- ► Novembro 2009 (13)
- ► Outubro 2009 (1)
- ► Setembro 2009 (4)
- ► Agosto 2009 (9)
- ► Julho 2009 (11)
- ► Junho 2009 (9)
- ► Março 2009 (10)
- ► Fevereiro 2009 (4)
- ► Janeiro 2009 (1)
-
►
2008
(91)
- ► Dezembro 2008 (2)
- ► Novembro 2008 (2)
- ► Outubro 2008 (3)
- ► Setembro 2008 (3)
- ► Agosto 2008 (4)
- ► Julho 2008 (10)
- ► Junho 2008 (13)
- ► Abril 2008 (10)
- ► Março 2008 (15)
- ► Fevereiro 2008 (8)
- ► Janeiro 2008 (3)





