segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

bute

agora tudo
mais pequeno
para nos pôr o chapéu modesto e dizer
sou eu e
PRECISO DISTO

e se tu precisares também
vamos
de quê?

teb celev

tragaram estalaram
bateram cunharam
esculpiram levantaram
ergueram virilidades
hoje arruinadas
e ainda bem

desse lixo faz-se a colagem
reactivando a luta de classes
e nos buracos fazemos casas

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ninguém mas muita gente

Vais aqui e acolá
Para trás e para a frente
Pôr o arroz a cozinhar

Tiras pratos e panelas
Agarras a cafeteira com uma mão
Corres a todas as janelas
E segues para outra divisão

Lavas a loiça
Varres em todos os sítios o chão
Pões na máquina os cortinados
Que já muito sujos estão

Escreves uma carta
Colas no envelope o selo
A tua imensa electricidade
Chega até ao cabelo

Não sei de quem estou a falar
Mas deve haver tanta gente assim!
... com esta electricidade
Lavar chão, cozinhar, enfim

Não conheço ninguém assim
Mas muita gente há-de haver
Só vão para o seu jardim
Quando em casa nada houver para fazer


[Este texto foi feito dia 22 de Abril de 1993, quando andava na Escola Marquesa de Alorna, no 5º ano. Sempre que leio este texto apetece-me acrescentar:

Já agora
Que estou a comer pão de ló
Confesso que a pessoa em que estava a pensar
Era sem mais nem menos... a minha avó.]

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

matar uma freira com um soco

-
Walking Around

Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.

Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo
ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.

Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas.


PABLO NERUDA

25

à Maria Letícia

chapelinho de quadrados
de vagar pela rua frenética
com uma fímbria de sol no laço
e uma saudade solta

desce um ar de natal sobre os passeios
sobre as pessoas sobre os carros
e um olhar sem palavras que flutua
põe-se a dizer de manso
antigamente

sinto surpreso que há momentos
em que as próprias rugas sabem bem
a ao nosso lado
numa alegria de cabelos soltos
o passado e o futuro correm de mãos dadas

MÁRIO DIONÍSIO, in O riso dissonante

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

poema para o desenho doze de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

o rapaz tem risca ao lado conforme o cabelo lhe nasce
e tem barriga de fome conforme a condição dos pais
e vive com tanta avidez e gana e vontade insaciável
que abre a boca de repente e abocanha o mundo todo
- que grande barriga, hein?
a barriga redonda perfeita redonda que faz o rapaz rebolar
as guerras aqui e ali que fazem as dores
no estômago, no peito, no corpo todo que é agora uma bola
e as fábricas e as empresas que exploram o petróleo e os homens
dão vontade de vomitar
aperta o rapaz o mundo dentro de si à sua volta
abraça o rapaz o mundo sem saber se o quer dentro de si
quer dar passos em frente e tomba e rebola
e assim já não pode nunca mais ir à escola

terça-feira, 30 de novembro de 2010

poema para o desenho onze de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

o senhor doutor tinha um olho pequeno e no olho pequeno usava um óculo
o óculo era tão grande que era para aí cinco vezes o tamanho do olho grande
o senhor doutor só tinha uma orelha e só ouvia do lado esquerdo
no lado esquerdo tinha uma orelha e no lado direito usava um óculo
o óculo era tão grande que com ele se podia ver muito bem o mundo todo
o senhor doutor passava a vida a estudar tudo e o mundo todo e nunca chegava a nenhuma conclusão
o rubor do senhor doutor e os lábios e os risinhos não enganavam ninguém porém
todos sabiam que escondia a garrafinha na prateleira de baixo dum armário do escritório
não era preciso ser doutor para saber

mas é figura respeitável um doutor que tudo sabe sem chegar a conclusões
e que munido do gigante óculo passa o dia no escritório bem fechado
para não dar azo a distracções

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

poema para o desenho dez de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

Uma mesa posta para uma cena
uma mesa posta para uma ceia
uma mesa posta numa cela dum rico
uma mesa posta numa cela dum novo rico
uma mesa posta para uma ceia num domingo
Uma mesa posta com um criado a servi-la
um criado posto para servir a mesa
um criado posto para servir o peixe
um criado posto para servir o chá
a chávena posta para o chá ser servido
A mesa posta com a maçã e o vinho
a toalha de padrão sem paciência
o fantasma do criado servente
o perfil recorrente de um criado
o laço do criado
a camisa branca de gola alta do criado
a toalha no braço do criado
o sorrisinho do criado
Ninguém pra comer o peixe
ninguém pra beber o chá
ninguém pra tragar o vinho
ninguém pra morder a maçã
nenhum novo rico posto à mesa
nenhum rico posto à mesa
nenhuma ceia de domingo a ser comida
O receptor do sorrisinho
invisível

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

um elefante















- elefante número oito mil quinhentos e vinte e três!
(mil elefantes
baloiçando)

ideia que depois
incendeia, porque não a acha inteira

- já sabia...
(mas sabe-se?)

a viva aranha
é que tece o elefante
e se lembra do baloiço
e nos oferece a teia

(o elefante perdeu a memória
mas sabe do presente
e a teia desta vez
não é uma prisão)

Quando? Quando? Quando?
- ainda não.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

declaração

os meus poemas também são do tamanho das saudades que tenho
mesmo que as saudades sejam muitas e os poemas sejam curtos

as camionetas parecem insectos
podia ser um poema

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

poema para o desenho nove de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

O Senhor Oldado de arma na mão
mochila na espalda com qualquer provisão
um cobertor, um mata-borrão
um mata-formigas, carne p'ra canhão
O Senhor Oldado na sua primeira lição
aprendeu a esticar-se como o cano que traz na mão
aprendeu um pouco da linguagem de cão
e manteve os olhos azuis iguais aos do irmão
O Senhor Oldado olha só numa direcção
é só uma farda sem coração
é só uma peça, um pedaço de pão
e engole à pressa o arroz e o grão
O Senhor Oldado não põe os olhos no chão
só quando fala com o capitão
e quando sobe os degraus da estação
para ir colono-democratizar o Africanistão

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

poema para o desenho oito de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

vestido a rigor para o baile de máscaras
espera pelo autocarro para Charleston
na berma do passeio

disfarçado de verde e folhos
grandes mangas touca pompons
maquilhagem branca e vermelha e preta
espera que não o reconheçam

e pensa em torrentes na mascarilha negra
de lantejoulas azuis
que lhe vai perguntar
«quem é você?»

e depois hão-de voar
para longe da música
para o jardim escuro e quieto do palacete
e trocar apontamentos

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Os gatos


OS GATOS

Os amantes febris e os sábios solitários
Amam de modo igual, na idade da razão,
Os doces e orgulhosos gatos da mansão,
Que como eles têm frio e cismam sedentários.

Amigos da volúpia e devotos da ciência,
Buscam eles o horror da treva e dos mistérios;
Tomara-os Érebo por seus corcéis funéreos,
Se a submissão pudera opor-lhes à insolência.

Sonhando eles assumem a nobre atitude
Da esfinge que no além se funde à infinitude,
Como ao sabor de um sonho que jamais termina;

Os rins em mágicas fagulhas se distendem,
E partículas de ouro, como areia fina,
Suas graves pupilas vagamente acendem.

Charles Baudelaire

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

pincelada isolada e discrepante

Pincelada isolada e discrepante
só tu alegre e louca
despertaste este poço de sombra

Vómito lento o mundo inteiro surdo estava
imerso em seus grilhões de esgoto e náusea
à procura de tudo
à procura de nada

De que mistério te evolaste?
Como chegaste aqui por onde quando e silenciosa
involuntária te instalaste
triunfante?

Toque de cor grito macio apenas sei
que em ti e só de ti aqui se abriu agora mesmo este postigo de lua
logo janela aberta porta estrada céu imenso
de acalento Um sol real
que não se pode copiar
nem inventar

(nem evitar)


MÁRIO DIONÍSIO

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

poema para o desenho sete de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

a senhora do cabelo às ondas
e o senhor do nariz comprido
estacaram frente a frente
ela ia dar uma palavra à costureira
ele ia pôr em ordem o escritório
e por isso eu acho que já se conheciam há muito tempo

mas naquele dia ao cruzarem-se
as pupilas dos quatro olhos fixaram-se umas nas outras
e o senhor parecia que tinha
deixado de ser mentiroso
e a senhora parecia que tinha
entrado a bordo de uma nave do tempo
e já não se sabia se estava no passado, no presente
ou no futuro

ficaram assim
como estátuas de jardim
durante um monte de segundos eternos
até que o nariz comprido começou a arder
por causa do cachimbo

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

poema para o desenho seis de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

O bigode, a boina, a gola imitada
A cor azul, verde, encarnada

O oleado do chão da casa da minha avó
Rua Feliciano de Sousa, 48
podia ser feito desta malha
A China representada por um chinês e uma toalha

E a toalha com buraco a compasso
é bandeira do Japão

As pernas cruzadas descentradas
meditação

Mundo longínquo
mascarado
posição de circo
do outro lado da terra
nos anos 20
a escala varia

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

poema para o desenho cinco de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

espantado em fato azul
olhos arregalados borlas vermelhas
quanto ganhas tu?
fazendo de bobo
arranhando o violino vermelho boneco
o que ganhas tu?
assustado do riso dos outros
o chapéu de mago que só comunica com deuses da lama
os bastidores cheios de jaulas com animais rotos e parados
sem luz com pó e tu que chegaste montado numa mula
e partirás amanhã descalço
a fatiota de desenhos naifs bem guardada numa mala
e chegas a outra terra noutro cruzamento
já sem Chanfalla e Chirinos
- Música, palhaço!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

poema para o desenho quatro de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

a caricatura do macaquinho de imitação
que pula aos saltos na mão da marquesa portuguesa
o macaquinho que repete a lição
do sistema nervoso dos macacos domesticados
a caricatura que pôs o macaco homem
e as fitas de cinema carros de linhas
e o meu amor por ti macacos do nariz

sábado, 28 de agosto de 2010

karoshi suicide salaryman


karoshi suicide salaryman - o melhor jogo
simplicidade, ironia, alta dose de vício e ainda o bónus das piadinhas informáticas
suicidemo-nos porque temos um trabalho e uma vida de merda!

aqui:


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

poema para o desenho três de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

o senhor Salgueiro
e o seu ponteiro
ponteaguuuuuuudo

o senhor doutor
tem muito amor
pela sua avóóóóóóó

perdeu a bacia
quando corria
pró electriiiiiiiiiico

só tem perfil
homem senil
não dá um beeeeerro

agulha pica
quem não dita
a tabuaaaaaaada

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Beijo de Rodin


Os dedos entre os cabelos
precipitação estremecedora de desejo
e as pontas deitam gotas de melaço.
Apertam-se as pestanas
respira-se perto o cheiro
e quando parece imparável a marcha
quando já fazemos parte dos grãos de areia
do fundo do mar
e dos magmas ardentes do centro da terra
quando já os deuses e ninfas
pairam à volta dos imans que emanam
cantando que tudo é bom e belo
que nunca existiu o pecado cristão,
um fio de razão
consegue esgueirar-se.
Entreabrem-se as pestanas
e os olhos que se vêem
avisam e querem
puxam e repelem
beijam e fogem.
O fio engrossa, os peitos ganham distância
e esta frase:
Se noutro dia
E acorda-se com o sabor da verdade na boca.
E o corpo cheio de mel.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

poema para o desenho dois de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

o mais terrível dos manuéis
tinha um barco no mar
para andar aos anéis

nada de cores garridas
em tábuas de madeira
e remos de pás compridas

só a cor do sangue dos outros
e a cruz das chagas obscuras
mais moderno que mofo

a caravela o mar agitava
direito por linhas tortas
a corda o mastro compassava

queria o mundo para si
queria a terra em guerra
e um pelouro no Mali

poema para o desenho um de vinte e três desenhos e um fragmento de MD

abracadabra o porteiro
dá livre entrada ao álbum tapado
dobradiça marionete
o dedo aponta imporante
entre
a cara quadrada
o nariz de vinho
a roupa que farda a portagem

a entrada tem portão
mas o patrão é do povo

é jardim de animais
ou revista de família
o autor das peças fadado para a talha
o porteiro abracadabra
assinala a entrada

agradecia que evitassem de bater com a porta

terça-feira, 17 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Soneto

de Carlos de Oliveira
Mãe Pobre, 1945

Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.

Entretanto, deixai que me não cale:
até que o muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.

A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança.














imagem do filme "Zéro de conduite", de Jean Vigo

terça-feira, 27 de julho de 2010

ao menino resistente






As aventuras de João Sem Medo, José Gomes Ferreira

quarta-feira, 21 de julho de 2010

tout va très bien

desenho de Franquin

segunda-feira, 19 de julho de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

vou ali passear o cão

Walk the dog, de Laurie Anderson

domingo, 11 de julho de 2010

quem pode fazer quem não faz quem faz quem não pode fazer


a coisa livre libertares
não fossem singulares os plurais

Antes
na história, condição aberta,
dominação pesada e leve
emancipação lenta veloz violenta
UMA LUTA POR CONTAR

quem pode fazer quem não faz
quem faz quem não pode fazer


Durante
nos instrumentos lisos que se trabalham ou não
lufa-lufa
e não abastecer nada
HOJE IMPOSSÌVEL
sem na medida do possível
os levar para onde não era possível
desafinar
e fazer a outra aprendizagem ensinar

quem pode fazer quem não faz
quem faz quem não pode fazer


Depois
não desejar obras-primas
mas coisas sem medo que ajudem
A DERRUBAR
pôr à disposição
convidar
meter o nariz no circular

a coisa livre libertares
não fossem singulares os plurais

quem pode fazer quem não faz
quem faz quem não pode fazer

sexta-feira, 2 de julho de 2010

então e não cantam?

No início eram duas pessoas. Não. No início era o nada. Não. Há qualquer sólido lá no meio. Do outro lado das cabeças.
Mas as cabeças não existem.
E são comportadas. Bem vestidas. Querem ser peixes dentro de água.
Onde estou?
(Repousar a cabeça antes de o espectáculo começar. Tirar. - pensamento de pai. Tido agora a posteriori.)
No início eram duas pessoas. Depois uma tornou-se artista e a outra obra de arte em potência. Actuante e objecto. Modelo. Modelo de aulas de desenho.
Eu passei 360 horas a ser olhada pelo artista, fiz estas posições todas.
Eu sou muito flexível.
O meu movimento desenha.
Depois o modelo vai olhar para a "sua" obra de arte concluída. Não sabe relacionar-se com ela. Não sabe como há-de. Rejeitá-la ou amá-la? Dar-lhe um pontapé?
Ao fim encaixa.
Mas encaixa tanto tempo que ficamos com falta de ar. Gira-se a cabeça em silêncio, troca-se de pé, sabe-se que se respira. O ar aquece, as cabeças tentam provar que da água ninguém as tira.
Só muito depois vêm: as caras das cabeças, os sons que nascem do silêncio incómodo, forçado e opressor, a luz e a sombra, o sólido que talvez seja uma obra de arte e, finalmente, o auto-riso que nos esclarece: estão a gozar connosco.
A modelo que encaixou tem um sorriso trocista. Sim, quanto tempo aguentam no meio do nada?
Espera. Ela tem uma perna amputada e sorri ao chegar ao pé de um pé-prótese que vai poder usar. É um riso de felicidade de prótese.
Não tenho ar.
A pessoa que já não é pessoa mas artista vai passados 10 anos buscar a sua obra de arte, à qual o modelo tinha ficado colado, e passa-lhe o pano do pó. Só no modelo.
O modelo pode continuar a servir. Como modelo ou como pessoa. A obra de arte não vai servir para mais nada. Vai ficar eternamente no mesmo lugar, na mesma posição, com a mesma luz, de pedra branca.
As cabeças então podem olhá-la de passagem e saber que a pedra branca é eterna.
Não tropecemos em escadotes laranja e fardos de palha no meio do escuro.
Lá fora há pessoas. Falam de mel e anel, ritual e revir. Dança, mármore, entrada. Mas eu só vi à saída.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

a menina interroga-se

a menina interroga-se
quantas sombras será preciso
coleccionar

até fazer um sonho
emancipar

"ó menina,
é a última paragem!"

(ia distraída)

têm preço as nossas vidas?

greve













hoje há de novo greve
greve de 24h na Grécia

a polícia detém um reformado
que não gosta que o fmi
lhe roube aquilo a que tem direito
a ué chama-lhe
ajustes

e de facto há ajustes de contas a fazer
ao contrário

segunda-feira, 28 de junho de 2010

l'angle mort

de Hamé/La Rumeur - Casey - Zone Libre

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Amadora 14 de Junho (STOP police)

uma orquestra


tu violoncelista
és a esperança deste naipe moribundo
tu professor
professor de contrabaixo
medianamente feliz
medianamente humano
viva o teu banco desconfortável
viva a harpa se não enfeita
viva o fagote sem penteado austríaco
viva a valsa danação
viva a menina de escola de 60 anos
viva a banda que a orquestra não abafa
viva outra vez o corne inglês
e vocês moscas
de museu de estado
desapareçam,
desapareçam,
fora daqui!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Cralimundo

Cralimundo

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Em 10 de Junho de 1978 foi legalmente assassinado um anti-fascista

Neste 10 de Junho, a silhueta da menina pires lembra os acontecimentos de 10 de Junho de 1978, em que um jovem que se opôs a uma manifestação fascista foi abatido a tiro pela polícia. A ler, este texto de Mário Dionísio, escrito depois do funeral de José Jorge Morais:



Mário Dionísio, in Diário de Lisboa, 14/06/1978.


Faraway e Jacky


comissário Faraway
almirante Jacky
fizeram viagens sem título
beberam como cavalos
entornaram uma amizade
em miragens de amor
descrentes encontraram-se de novo
numa batalha campal
num bar em Newfight
uma ilha grande e até então
praticamente desconhecida
estavam do mesmo lado
reconheceram-se e riram
e choraram as lágrimas
e as cicatrizes

quinta-feira, 3 de junho de 2010

tique taque


o tempo não é o inimigo
o perigo é não estar à altura
do presente
incansável/escancarado/novo

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Lançamento do disco apupópapa! no Porto (agora com fotos)

O anúncio da festa-lançamento do disco apupópapa! foi feito por mail e pelo Facebook e também foi postado em blogs e páginas da internet (como Cidadã do Mundo, Passa Palavra, Pimenta Negra, Diário Liberdade, A Cidade das Mulheres).

Às 20h30 já estavam algumas pessoas na Casa Viva. Às 21h15 começou o concerto do Pedro e da Diana, um pouco no lusco-fusco mas, mesmo assim, contra o obscurantismo. Cantaram «fADo» e «e job raspava o pus com um caco de telha e assentava-se sobre a cinza». Leram o texto de Diana Póvoas «A religião faz mal à saúde», que já tinha sido lido em Lisboa e que está publicado no zine que acompanha o disco. Seguiram cantando «Joana come o papa», uma música que haviam feito na altura do referendo sobre o aborto. Cantaram ainda «A taxa (o drama nacional)» e «O rato».

João Carlos leu a notícia fictícia «Teresa e Marta casam pela igreja», publicada pelo jornal i-diário (lançado pela União de Mulheres Alternativa e Resposta no dia 10 de Maio e distribuído gratuitamente nas ruas de Lisboa), e contou o que se passou com esse jornal. A Sojormedia, empresa proprietária do jornal i, apresentou uma queixa-crime contra o jornal i-diário, embora a UMAR tenha enviado um comunicado de imprensa a esclarecer que um jornal não tinha nada que ver com o outro. No dia 12 de Maio a ASAE foi à sede da UMAR e confiscou todos os exemplares do i-diário que lá havia. Tudo isto pareceria uma coisa do outro mundo não fosse o facto de uma simples busca no Google dar a saber o seguinte: a Sojormedia é a detentora exclusiva dos direitos de merchandising com a imagem do papa Bento XVI na visita a Portugal. Assim tudo se explica. Para além da ideologia, temos também o mercado. Aqui fica o comunicado de imprensa da UMAR sobre o assunto.

A Diana e o Pedro cantaram em seguida «Homofo-BU!» e, acompanhados por Rossana Silva e Smith, «Deixa estar». Acompanhados pelo Maio, acabaram o concerto com a canção «Este mânfio».

Susana Chiocca e outros dois companheiros apresentaram uma performance muito interessante feita propositadamente para o evento.

Smith cantou à guitarra a canção «O rato que canta», do grupo Focolitus, que integra o disco apupópapa!

Pedro Ribeiro leu um texto seu.

Maio cantou a «Cantiga da minha preguiça» e a Diana e o Pedro entoaram ainda a «Trova do Bento que passa».

Seguiu-se o cinema comunitário, com O sentido da vida, dos Monthy Python.

Venderam-se 30 discos. 10 ficaram na Casa Viva à venda para quem os quiser comprar no Porto.

Entretanto o blogzine da Chili com Carne falou do apupópapa!

Para pedir discos apupópapa! enviar um e-mail para apupopapa@gmail.com.