segunda-feira, 21 de abril de 2008
a escrita
de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as
Lteras de uma plravaa etãso,
a úncia csioa iprotmatne é que
a piremria e útmlia Lteras etejasm
no lgaur crteo. O rseto pdoe ser
uma bçguana ttaol, que vcoê
anida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos
cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa
cmoo um tdoo.
35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GOQU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4RB3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Segunda Audiência do Tribunal do Iraque
(Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque)
Lisboa, 18 Abril, 21:30h, na Casa do Alentejo
Entrada livre
Assinalando os cinco anos da invasão do Iraque vai realizar-se uma nova Audiência do Tribunal-Iraque (Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque).
Tal como na 1.ª Audiência realizada em Lisboa em Março 2005, o objectivo é proceder a uma avaliação dos cinco anos de ocupação no duplo aspecto,
(i) das responsabilidades dos autores da agressão (os EUA e o Reino Unido) e
(ii) da cumplicidade das autoridades portuguesas.
Esta avaliação terá a forma de uma Acusação, cuja formulação está a cargo do Dr Eduardo Maia Costa, juiz do Supremo Tribunal de Justiça. De novo, pretende reunir-se o grupo de Jurados que integrou a 1.ª Audiência ao qual será apresentada esta Acusação e uma proposta de resolução. A Acusação, cuja versão definitiva será divulgada na sessão, debruça-se sobre as violações do direito, os crimes cometidos pelos ocupantes, a onda de restrição das garantias individuais que irradia dos EUA a pretexto da luta «antiterrorista», as prisões secretas e os voos da CIA, a resistência iraquiana.
A Audiência, com entrada livre, terá lugar em Lisboa, na Casa do Alentejo, no dia 18 de Abril, entre as 21h30 e as 24h, com a seguinte sequência de trabalhos:
. Apresentação da Acusação pelo Dr Eduardo Maia Costa;
. Testemunho da iraquiana Dra Eman Khamas, refugiada em Espanha, sobre a situação no Iraque;
. Testemunho do Dr Carlos Varea, coordenador do CEOSI – Campanha de Estado contra a Ocupação e pela Soberania do Iraque, Espanha, sobre as necessidades de apoio humanitário e as iniciativas da CEOSI;
. Testemunho do Tribunal-Iraque sobre a cumplicidade das autoridades portuguesas;
. Deliberação dos Jurados.
Contamos com a sua presença e o seu apoio.
A Comissão Organizadora do Tribunal-Iraque
Amílcar Sequeira, António Alves, Berta Macias, Cristina Meneses, Eduardo Maia Costa, Guadalupe Margarido, Helena Nascimento, João Mário Mascarenhas, José Mário Branco, Júlio Moreira, Manuel Monteiro, Manuel Raposo, Mário Tomé, Paulo Esperança.
terça-feira, 15 de abril de 2008
memórias do eixo norte/sul
nasceu ao lado do mar
nasceu criança e neta dalguém
com o rebentar das ondas
a marulhar-lhe nos ouvidos
sempre
o contínuo ruído efeverscente
das águas que repetem
e encharcam rochas e areia
chamuscadas pelo sol
e no inverno e outono e primavera
o mar sempre lá ao lado
sempre nos ouvidos
sem ser preciso búzio
sempre esse murmúrio
e quando essa terra acabou
e a avó veio para a nossa casa
à beira da circunvalação
louca, dizia:
o que vale é que continuo
a ouvir o mar
segunda-feira, 14 de abril de 2008
cinco e dezasseis
Podia ter ido por ali mas foi por aqui.
E então agora também pode ir por ali ou por aqui
Depende.
Depende de quê?
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Sala
um lápis
um grito
fechei a porta
tem de ser duma maneira
diferente
a grade
as estalactites
os miúdos
autoridade
não é força
força não é
colapso
colapso é
violência
o estrado
o teorema
para a rua
um grito
fechei a porta
a grade aberta
- a rua
zig e zig e zag
nas teias de aranha
dançam os esqueletos
cantam os morcegos
abrem os caixões
ninguém os apanha
desprendem-se os dedos
quebram-se as ossadas
dançam os esqueletos
dançam na penumbra
riem-se os escárnios
rolam as cabeças
se não têm sangue
rasgam as cortinas
se não têm par
partem candelabros
há véus há dores
há voos há coisas no ar
há tumbas mortalhas
há pó pás há panos rasgados
há sombras de
sombras de
sombras de sombras
há pedras frias
e quentes infernos
esqueletos antigos
esqueletos modernos
segunda-feira, 24 de março de 2008
standby
polícia, hospitais, tribunais: as séries de TV gostam de humanizar os cárceres
domingo, 23 de março de 2008
quarta-feira, 19 de março de 2008
terça-feira, 18 de março de 2008
Étranges étrangers
hommes des pays loin
cobayes des colonies
Doux petits musiciens
soleils adolescents de la porte d’Italie
Boumians de la porte de Saint-Ouen
Apatrides d’Aubervilliers
brûleurs des grandes ordures de la ville de Paris
ébouillanteurs des bêtes trouvées mortes sur pied
au beau milieu des rues
Tunisiens de Grenelle
embauchés débauchés
manœuvres désœuvrés
Polacks du Marais du Temple des Rosiers
Cordonniers de Cordoue soutiers de Barcelone
pêcheurs des Baléares ou bien du Finisterre
rescapés de Franco
et déportés de France et de Navarre
pour avoir défendu en souvenir de la vôtre
la liberté des autres
Esclaves noirs de Fréjus
tiraillés et parqués
au bord d’une petite mer
où peu vous vous baignez
Esclaves noirs de Fréjus
qui évoquez chaque soir
dans les locaux disciplinaire
savec une vieille boîte à cigares
et quelques bouts de fil de fer
tous les échos de vos villages
tous les oiseaux de vos forêts
et ne venez dans la capitale
que pour fêter au pas cadencé
la prise de la Bastille le quatorze juillet
Enfants du Sénégal
dépatriés expatriés et naturalisés
Enfants indochinois
jongleurs aux innocents couteaux
qui vendiez autrefois aux terrasses des cafés
de jolis dragons d’or faits de papier plié
Enfants trop tôt grandis et si vite en allés
qui dormez aujourd’hui de retour au pays
le visage dans la terre
et des bombes incendiaires labourant vos rizières
On vous a renvoyé
la monnaie de vos papiers dorés
on vous a retourné
vos petits couteaux dans le dos
Étranges étrangers
Vous êtes de la ville
vous êtes de sa vie
même si mal en vivez
même si vous en mourez.
Jacques PRÉVERT
Grand bal du printemps
(La Guilde du Livre,1951 ; Éditions Gallimard,1976 )
segunda-feira, 17 de março de 2008
sábado, 15 de março de 2008
Mais uma associação desterrada, agora para a Igreja
Lisboa, 13 de Março de 2008
Exmo. Sr. ou Sr.ª:
A Associação Cultural Palco Oriental, entidade artística sem fins lucrativos, foi liquidada pelo Supremo Tribunal de Justiça.
O acórdão do STJ, decidiu atribuir o nosso edifício à Igreja de S. Bartolomeu do Beato.
Assim se faz Justiça!
Desde 16 de Abril de 2001, que o processo movido contra nós se encontrava nos tribunais.
O Tribunal de 1ª Instância deu-nos razão ao nos atribuir o edifício, a Relação sentenciou que a “coisa” não estava ganha, e o Supremo, de forma justiceira acabou com um projecto cultural e artístico que resistia desde há mais de duas décadas.
A Igreja recebe de bandeja um edifício onde nunca esteve nem aplicou um cêntimo.
Nós custeamos obras, de largas dezenas de milhares de euros.
O edifício é doado à Igreja em 1999. O seu doador foi a fantasma Associação de Serviço Social, que abandonou as instalações, logo após o 25 de Abril de 1974.
A este fantasma, não se lhe conhece qualquer actividade realizada após a revolução, nem nunca nos contactou a reivindicar a devolução do imóvel.
Assim se faz justiça!
Dezenas de pessoas são assim privadas de dar continuidade aos seus projectos artísticos e à livre expressão das suas vontades e ideais.
Dezenas de pessoas que militantemente se dedicaram e investiram humana e materialmente durante tantos anos neste espaço para dotar culturalmente as populações da Zona Oriental de Lisboa, são assim despejadas.
Desde sempre que este foi um espaço de acolhimento para centenas de artistas, das mais variadas formas de expressão: do teatro, da música, da dança, das artes plásticas, do áudio visual, e da simples partilha de experiências de vida.
Assim está bem a justiça em Portugal!
E tudo está bem, quando acaba…!
Bem hajam os doutos fiéis da balança.
Você que acabou de ler este comunicado se acha que pode ou quer fazer alguma coisa… então comece por reencaminhar esta mensagem.
Os nossos agradecimentos e apareça no Palco Oriental, para bebermos um café e soltarmos a língua.
O Presidente da Associação Cultural Palco Oriental
João Jorge Duarte Loureiro (Meirim)
Palco Oriental
Calçada do Duque de Lafões, 78
1950-102 Lisboa
Tel: + 210 191 957/ 91 944 38 01
palcooriental@clix.pt
http://poriental.planetaclix.pt/cenas.html
domingo, 9 de março de 2008
menina pires lê o jornal no dia 9 de Março
sexta-feira, 7 de março de 2008
menina pires vai ao teatro
Repartição é um texto de Miguel Castro Caldas e uma encenação de Bruno Bravo com os Primeiros Sintomas. Foi apresentada neste início de Março de 2008 na Culturgest
1 - fim da repartição
- fim do “estado social” - o que é isso? Estado - aparelho de repressão de uma classe, etc/ Social - diz-se do Estado que garante algumas regalias, defende “bens comuns”, permite acesso a serviços públicos considerados (socialmemente) como essenciais;
- fim da repartição da riqueza (tributar/descontar para quê se estão a atacar aquilo para que descontamos, os serviços públicos e, enfim, a paz, o pão, habitação, saúde, educação -, para quê se estão a destruir algumas conquistas das lutas?); e os ricos, a burguesia, descontam o quê do que exploram e do que ganham “por fora” (das suas finanças)?
2- uma contradição
- esta peça (contradição?) faz-se na Culturgest - CGD, uma verdadeira repartição de finanças; produção de arte, sensibilidades, cultura ligadas a um banco, símbolo da cultura da acumulação (o contrário da “repartição”);
3 - boas perguntas
- pôr em causa (colectivamente) a “ne-ces-si-da-de” (os sapatos, as peúgas). Necessidade de distribuição - o que e como se distribui; de consumo - do que e como se consome; de produção - do que e como se produz. A questão da necessidade é central;
- a ana é uma mulher (vende o corpo - a força de trabalho; prostituição como paradigma do trabalho) - a condição das mulheres ultrapassa a questão do trabalho;
- as vozes (o coro) já são (início de) resposta - é uma partição (partitura, partition), e obriga a uma produção colectiva de um modo a que o teatro (e a música!) dominante habitualmente foge;
4 - o comunismo acamado
- um velho doente (a montanha, a religião, o peso da história, a resistência à morte mas incapacidade de se mover - ausência de movimento; o espectro do comunismo paira sobre a ana)
- um velho doente perante a ana (as palavras finais “sou eu meu senhor, a ana” e, no texto, o “estar descalça”, não ter portanto os tais sapatos mas - talvez - poder caminhar)
5- a emoção vs a distância
precisamos (na arte) da emoção para pensar e da distância para sentir
Escólio A
A peça é antagonista - também, em parte, em relação ao teatro; a peça acaba onde a luta cá fora, o trabalho árduo da emancipação, começa ou pode começar - nesse sentido a peça, o texto e a encenação e o trabalho dos actores móveis/imóveis tem a modéstia de não querer por si só mudar o mundo mas exigir de nós que o façamos.
Escólio B
Lembra-me uma frase do Che Guevara sobre repartir o pouco (que põe a justiça acima de tudo). Mas a questão ética não implica necessariamente capacidade de resposta política (no sentido de transformar as relações entre os homens, acabar com a exploração, etc). Esta depende de outras coisas. Seremos capazes dessas outras coisas? Seremos capazes de tomar nas nossas mãos as (novas e contraditórias) necessidades, seremos capazes de manejar as ferramentas (antigas e modernas) ao nosso dispor, seremos capazes de, com a ana, transformar a sociedade (as relações sociais, o poder), o mundo (o pensamento, o conhecimento, a sensibilidade, a sexualidade, os sonhos, a produção, todos os mundos que o mundo tem) e a vida (a forma de estar no mundo, o quotidiano, os dias e as noites, o tempo “pequeno”, o tempo da nossa própria vida, o amor)?
O sapato
O sapato serve de exemplo - é necessidade que tem de ser interrogada, pode ser ferramenta e talvez o início de um (longo) caminho. Se (re)partirmos descalços (para a luta) arriscamo-nos a ficar com feridas nos pés. Mas isso depende do caminho.
“pois a areia cresceu e a gente em vão requer curvada
o que de fronte erguida já lhe pertencia”
(Ruy Belo, citado no livrinho onde se pode ler o texto de Repartição)
quinta-feira, 6 de março de 2008
dois amigos
vigias
podia ser fácil escrever
quando os olhos roçam as costas
quando o nariz se incomoda
quando
os ouvidos muito invadidos
não conseguem pensar no desenho
segunda-feira, 3 de março de 2008
domingo, 2 de março de 2008
um de março
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
A silhueta andava a ler João Guimarães Rosa...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
trovoada
que foi mesmo cá mesmo lá onde eu estava
contava-se desde o clarão um ou dois e bastava
e rimbãobão rimbombão a terra tremia
e a chorar a chorar eu não dormia
a pensar nas árvores que caíam - como o ideiafix
e a filmar grandes mortes tuas e dele e dela
grandes aventuras de sufoco e agarrava-me à almofada
e também tu em sobressalto te assustavas
e coisa curiosa notei a esticar as pernas:
o sono quieto e esfíngico do oboé.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Pintemos as paredes!
que parece que temos mais oportunidade
para fazer coisas destas:






http://bigblogis.blogspot.com/2006/09/agoramania-iii_26.html

sábado, 9 de fevereiro de 2008
A menina Pires foi ontem ao despejo do Grémio e tem o olho inchado
Muita gente se deslocou ao local ontem para defender o Grémio, a sua dinâmica cultural e do seu valor histórico.
No texto em anexo (e em baixo) conta-se o que lá se passou. A polícia teve uma atitude inqualificável de irresponsabilidade, incompetência e violência. Reprimiu um protesto pacífico à bastonada, batendo e ameaçando inclusivamente vários jornalistas.
E depois: um rapaz detido foi espancado e ameaçado violentamente na esquadra por um dos polícias que estava presente na operação do Grémio.
Vamos continuar a defender o Grémio Lisbonense, instituição de utilidade pública, valor histórico e intervenção social insubstituível, aberta a todos. Vamos continuar a defender a dinâmica cultural da Baixa de Lisboa. Contra a Lisboa desocupada, das casas emparedadas, da especulação imobiliária e dos negócios de luxo.
Acabemos também com a violência policial e a impunidade, na rua e nas esquadras.
Estas histórias têm de ser contadas.
O que aconteceu no Grémio Lisbonense e depois.
O grémio recebeu ontem uma ordem de despejo.
A partir de meio da tarde (cerca das 16h) começaram a juntar-se mais pessoas à porta. Passada uma hora eram cerca de 50 sócios e amigos e alguns jornalistas e fotógrafos (Lusa, jornal Público, Jornal de Notícias, etc). Às 19h eram mais de 100 pessoas de todas as idades.
Dois polícias à porta permanentemente. Os sócios eram impedidos de entrar, tirando alguns membros da direcção e aqueles que tinham de tirar de lá alguns objectos. Uma carrinha de mudanças foi sendo carregada com alguns haveres que não pertencem ao Grémio (instrumentos, coisas do bar, etc). No entanto todo o espólio do Grémio ficou lá. Uma cadeira de barbeiro saíu e houve assobios dos presentes. A cadeira não é propriedade da Associação, mas foi vista por alguns dos presentes como um símbolo deste despejo precipitado. Alguns dos proprietários estiveram no local. Cumpria-se a ordem do tribunal. Fez-se um inventário dos bens.
Cerca das 19h as pessoas que se juntaram para defender o espaço começaram a discutir o que fazer, a questionar a legalidade do despejo e a necessidade de o fazer, uma vez que estava já marcada uma reunião na Câmara Municipal de Lisboa para quarta-feira próxima, com a presença da direcção do Grémio e dos proprietários para negociar uma solução que permitisse a continuidade das actividades culturais da Associação, a preservação do edifício histórico. Houve várias ideias para não permitir o despejo, informar a comunicação social, fazer pressão para que o Grémio não fosse despejado. Fez-se uma assembleia improvisada no átrio da entrada, no rés do chão. Houve esclarecimentos de um membro da direcção que reafirmou a possibilidade de se encontrar uma solução. Um membro do gabinete da câmara do vereador José Sá Fernandes também falou da negociação de quarta-feira, explicando as diligências que podem ser feitas na Câmara.
A advogada do Grémio esteve presente no local, falou muito brevemente da possibilidade de uma negociação e anunciou uma conferência de imprensa pelas 19h30 no seu escritório, longe dali.
Os presentes não saíram do local. Continuaram a discutir. Alguns sócios queriam entrar no Grémio. Discutiu-se a possibilidade de reunir lá dentro e decidir com calma o que fazer. Numa segunda assembleia improvisada, de novo no átrio de entrada, enquanto se preparavam acções de sensibilização e protesto até à quarta-feira seguinte, levantaram-se várias vozes que defenderam que se subisse ao primeiro andar. Muitos subiram. Um polícia pergunta “o que é que fazem aqui?” e começa a empurrar e agredir os primeiros a subir a escada. As pessoas não desmobilizam. Protestam contra a violência despropositada da polícia.
Cinco polícias estão lá em cima. Cassetetes na mão. Os ânimos aquecem. Algumas pessoas apelam à calma. Um membro da direcção apela à calma e volta a reafirmar a possibilidade de se suspender o despejo e arranjar uma solução para o Grémio continuar vivo, que passasse simplesmente por uma actualização da renda. Algumas pessoas pedem identificação da polícia por lhes terem batido.
Grita-se: “ O Grémio é nosso!”, “Lisboa a quem a vive” e palavras contra a repressão policial. Chegam reforços policiais (mais um dez polícias) que tentam abrir caminho à força pelas escadas para chegar ao primeiro andar. Todos as pessoas se sentam no chão, dificultando a passagem da polícia. A polícia não está com meias medidas, começa a bater indiscriminadamente em todos, criando o caos. Várias pessoas magoadas e esmagadas. Fotógrafos e jornalistas agredidos. Ouvem-se gritos. As pessoas protegem-se, defendem-se como podem. A polícia bate com cassetetes, empurra e pontapeia. Varre à pancada a escada. As pessoas saem do edifício para a rua. Há cabeças partidas, e muitos queixam-se de terem sido agredidos. Pelo menos um jornalista e um dos que estavam na escada pacificamente ficam no átrio de entrada (rés-do chão).
Depois de alguns diálogos infrutíferos entre a polícia e as pessoas que ali se encontravam, os polícias fazem um cordão cá em baixo, já na rua e começam a dizer às pessoas para circular. Várias viaturas da polícia estão estacionadas no Rossio, junto ao Grémio. As pessoas protestam contra a violência policial. Concentram-se ainda durante algum tempo à frente do Arco do Bandeira (o arco debaixo do Grémio).
... e depois:
As imagens da TVnet mostram imobilizado no chão um rapaz. Este rapaz, que nunca agrediu nenhum polícia e apelou repetidamente à calma, foi detido e levado para a esquadra.
Na esquadra foi fechado numa sala, foi espancado violentamente (com socos, com uma cadeira, etc), foi ameaçado e torturado durante horas por um dos polícias que estava na operação, um polícia da esquadra da Estefânia de uma posição hierárquica superior. O rapaz violentado pôde telefonar a chamar advogados e amigos que, depois de finalmente sair da esquadra (cerca das 3 da manhã, seis horas depois de ser levado para a ), o levaram ao hospital. Tem várias lesões no corpo e na cabeça.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
quais os retalhos que a vestem
em Maio eu erma
sem arma
AMEM!
esta mania
que anima e dana
a mana amada
a dama que adama
emana ou imana
como rainha ou raia
deixa o campo minado e
abandona-se minada
que os dois doam desse dano
e que depois ele se adame
mas quando/será que
amaina?
mas também se podiam postar nela notícias do mundo? ou não?
e dizer ao mundo que a silhueta da menina pires existe?
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
sangra do nariz

a comuna de paris
sangra do nariz
a silhueta da menina pires
impressionada
apanha gotas de sangue
com a ponta do dedo
tão burguesa coitadinha
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
a silhueta da menina pires
menina: tratamento familiar que se dá às pessoas do sexo feminino, novas e adultas; meretriz; rapaz efeminado; designativo de uma variedade de abóbora
pires: pequeno prato, particularmente aquele sobre que se coloca uma chávena ou xícara










