Crescermos é ficarmos cada vez mais sós
ao nascermos ninguém nos disse
que os pais não duravam para sempre
que a casa não durava para sempre
que a cidade ia mudar muito
tanto que poderia ser preciso deixá-la
que certas palavras iam desaparecer da língua que se usa
e os amigos da vida
tudo aquilo em que assentávamos
os nossos bastidores
as nossas raízes
os nossos pensamentos
a nossa cabeça e o nosso corpo
viver é a resistência
às facas e facas e facas
construir plaquetas
carcaçar a pele
deixarmos bocados de nós
pelo caminho.
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
quinta-feira, 31 de maio de 2018
ar livre
O mundo ao ar livre
cheio de luz, com calor de sol
comove até ao craquelé do seco barro medulóide
trava passos
paraliza pensamentos
dá-se todo
e agride-me
como se dissesse
aqui é que é a vida, o que fazes desse lado?
E a custo
a passos de homem na lua
consigo finalmente alcançar
a salvadora porta do túnel do metro
direcção retour à la normale
luz eléctrica de buraco
o tempo a passar a vida
outra vez a fugir.
cheio de luz, com calor de sol
comove até ao craquelé do seco barro medulóide
trava passos
paraliza pensamentos
dá-se todo
e agride-me
como se dissesse
aqui é que é a vida, o que fazes desse lado?
E a custo
a passos de homem na lua
consigo finalmente alcançar
a salvadora porta do túnel do metro
direcção retour à la normale
luz eléctrica de buraco
o tempo a passar a vida
outra vez a fugir.
levantar e fazer acontecer
levantar e fazer acontecer sim
mas com sol é que isso é fácil
a rapariga já velha dos caracóis castanhos
arranca uma flor da laranjeira azeda
eu penso pela primeira vez
que dão jeito aos donos dos cafés
os trocos dos arrumadores de carros
(fio de comunidade)
e no metro continua em loop
a voz ensurdecedora que grita avisos da polícia
mas o sol brilha por cima
e alguns levantam-se e fazem acontecer
mostrando que só depois da fotossíntese
é que isto vai lá
mas com sol é que isso é fácil
a rapariga já velha dos caracóis castanhos
arranca uma flor da laranjeira azeda
eu penso pela primeira vez
que dão jeito aos donos dos cafés
os trocos dos arrumadores de carros
(fio de comunidade)
e no metro continua em loop
a voz ensurdecedora que grita avisos da polícia
mas o sol brilha por cima
e alguns levantam-se e fazem acontecer
mostrando que só depois da fotossíntese
é que isto vai lá
e amanhã direi
e amanhã direi
que dormi bem quentinha
em mais uma noite de angústia do mundo
de gritos, frio, arrepios, miséria, morte,
injustiças de cassandra
puxadas a ferro das entranhas
e respondidas com as entranhas
que besuntam de ferro a vida
- impermeavelmente.
e tudo será mentira
como os passos que oiço cá dentro de casa
e que me dizem
não poderem ser reais.
não poderem ser reais, dizem
vários tempos no mesmo espaço
que dormi bem quentinha
em mais uma noite de angústia do mundo
de gritos, frio, arrepios, miséria, morte,
injustiças de cassandra
puxadas a ferro das entranhas
e respondidas com as entranhas
que besuntam de ferro a vida
- impermeavelmente.
e tudo será mentira
como os passos que oiço cá dentro de casa
e que me dizem
não poderem ser reais.
não poderem ser reais, dizem
vários tempos no mesmo espaço
São as coisas que eu ouço sempre
São as coisas que eu ouço sempre
Das duas uma
ou vive alguém cá comigo
ou tenho ouvido de tísica
e isto é silêncio para os outros
Das duas uma
ou vive alguém cá comigo
ou tenho ouvido de tísica
e isto é silêncio para os outros
domingo, 11 de março de 2018
insokus
A CASA
Água a correr e passos dentro da parede
E vendaval de fora
O FRIO
É tão psicológico como todo o resto do mundo
Tem is de pontos duros
Inibir imobilizar cristalizar
O SONO
Lutar até ao fim
Eu sou mais persistente que tu
E nem me roubas o raciocínio
OS OLHOS
À volta infecta
Ficar cego é medo
Fechar é o mais difícil
O MEDO
Domina as cabeças com frio, falta de sono
E olhos incapazes
É tão psicológico como o frio
Só se vai
Se adormecermos
Água a correr e passos dentro da parede
E vendaval de fora
O FRIO
É tão psicológico como todo o resto do mundo
Tem is de pontos duros
Inibir imobilizar cristalizar
O SONO
Lutar até ao fim
Eu sou mais persistente que tu
E nem me roubas o raciocínio
OS OLHOS
À volta infecta
Ficar cego é medo
Fechar é o mais difícil
O MEDO
Domina as cabeças com frio, falta de sono
E olhos incapazes
É tão psicológico como o frio
Só se vai
Se adormecermos
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
toque
Como um toque e foge
para lena de gil
debaixo
do serénico raio
como um bolbo de generosidade
como uma calma que mente
mas é enquanto está
como aquele arrepio de lágrimas frescas
às seis da tarde na praça da figueira
mexeu com uma mexeu com todas
a pincelada burilou
para lena de gil
debaixo
do serénico raio
como um bolbo de generosidade
como uma calma que mente
mas é enquanto está
como aquele arrepio de lágrimas frescas
às seis da tarde na praça da figueira
mexeu com uma mexeu com todas
a pincelada burilou
foge
Que barca abarca
essa luz reciclada
que pinta o céu de escuro pardo
e recorta de esboço
o castelo imaginário
encimando a floresta?
É alívio sereno
que toda a monarquia e os bancos durmam
ou repousa só, trémula de ameaça,
uma ameaça tépida
e amarela?
Essa deusa
luminosa e altiva
mas a única verdadeira
tingida de rios e peixes
está a anos-luz
dos fotões rosa sintéticos
que me ocupam a sala.
E foge pela ombreira.
essa luz reciclada
que pinta o céu de escuro pardo
e recorta de esboço
o castelo imaginário
encimando a floresta?
É alívio sereno
que toda a monarquia e os bancos durmam
ou repousa só, trémula de ameaça,
uma ameaça tépida
e amarela?
Essa deusa
luminosa e altiva
mas a única verdadeira
tingida de rios e peixes
está a anos-luz
dos fotões rosa sintéticos
que me ocupam a sala.
E foge pela ombreira.
terça-feira, 12 de setembro de 2017
e dos caixotes do lixo nascem versos
Lixo.
Couves amarelas.
Ovos de asas mortas.
Gritos esfarrapados por dentes de peixes,
espinhas de caudas de sereias.
E uma luva doce
a quem os cães da noite
vão em bandos
lamber o perfume
de mulher
- palacianos e sonâmbulos.
José Gomes Ferreira
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
segunda-feira, 31 de julho de 2017
domingo, 30 de julho de 2017
domingo, 16 de julho de 2017
domingo, 4 de junho de 2017
sexta-feira, 19 de maio de 2017
histórias para crianças quase crescidas

esperamos encontrar-vos, mais e menos crescidos,
no próximo sábado 20 de Maio de 2017, pelas 16h,
na Casa da Achada - Centro Mário Dionísio*,
para o lançamento desta novidade
histórias para crianças quase crescidas
de Antonino Solmer, com ilustrações de Diana Dionísio
depois de uma apresentação por João Rodrigues, histórias serão lidas por F. Pedro Oliveira, Inês Nogueira e sabe-se lá mais quem...
* R. da Achada, 11 - 1100-004 Lisboa
quarta-feira, 10 de maio de 2017
quarta-feira, 3 de maio de 2017
terça-feira, 2 de maio de 2017
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